Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/01/2021

A série estaduniense The Good Doctor retrata a vida de Shaun Murphy, um médico cirurgião recém formado portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA), que se depara diariamente com o preconceito sofrido por parte de seus colegas de profissão. Fora da ficção, a inclusão de pessoas com autismo representa um enorme problema no Brasil. Tal fato acontece, principalmente, devido à falta de informação sobre o assunto em grande parcela da população e à existência de um elevado número de profissionais despreparados para lidar com autistas, especialmente em escolas e centros de ensino.

Em primeira análise, vale ressaltar que a desinformação sobre questões relacionadas a esse transtorno em parte dos cidadãos acarreta em uma alienação por parte da mesma. Tal situação decorre também do fato de que o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde apenas em 1993, sendo considerado uma doença recente. Dessa forma, muitos não possuem grandes conhecimentos sobre o assunto, o que acaba por gerar um medo do deconhecido ou pensamentos totalmente contrários à realidade de pessoas autistas. Consequentemente, a inserção de indivíduos com esse espectro na sociedade se torna ainda mais complicado.

Outrossim, grande parte dos ambientes de ensino não possuem profissionais qualificados para lidar com crianças e jovens com TEA. Consoante ao sociólogo francês Émile Durkhein, a educação é um fator primordial para a formação de condições físicas e morais que são requeridas pela sociedade. Nesse sentido, nota-se que a limitada qualificação de muitos gestores escolares compromete fortemente o desenvolvimento das capacidades de comunicação e interação de autistas, já que os mesmos apresentam tais aspectos prejudicados devido ao transtorno e requerem, muitas vezes, necessidades extras.

Verifica-se, portanto, que diversos são os desafios que impedem que indivíduos com espectro autista sejam devidamente incluídos na sociedade. Urge, então, que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela manutenção da saúde pública no país, crie campanhas de conscientização, por intermédio de propagandas midiáticas, acerca da importância da inserção dos autistas no meio social, a fim de que possa, enfim, ocorrer uma inclusão efetiva de autistas no Brasil. Além disso, é mister que o Ministério da Educação execute palestras e oficinas de capacitação de professores e funcionários escolares com o intuito de proporcionar estratégias para um pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes com TEA. Com tais ações, mais pessoas terão conhecimento desse transtorno e os portadores terão acesso à devida educação para a formação das condições físicas e morais necessárias.