Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Incidência quatro vezes maior em meninos do que em meninas. No Brasil há 2 milhões de autistas, segundo a OMS. Comportamentos repetitivos e estereotipados. Entre os fatores relacionados aos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, figura a falta de informações, o que corrobora para o estigma e a exclusão social delas. Isso se evidencia não só pela ausência de políticas públicas, como também pelo diagnóstico tardio.

Em primeira análise, é possível destacar a falta de conhecimento sobre esse transtorno, sobretudo,  por parte das autoridades governamentais. Esse desconhecimento impacta diretamente na deficiência de projetos de lei que visam a inclusão dos portadores do espectro autista, principalmente, no que tange ao ambiente escolar. Tal ação é nociva e destoa diretamente com o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, que prevê o acesso à educação a todos os cidadãos, independente de sua condição neurológica. Lê-se, portanto, como inaceitável a postura negligente do Estado, que, infelizmente, agrava desigualdade já existente entre as pessoas desse grupo social.

Paralelo a isso, nota-se a problemática dos diagnósticos postergados pelos médicos, que possuem poucas informações científicas sobre o transtorno neurológico. Haja vista que a OMS só incluiu o Transtorno do Espectro do Autismo na Classificação Internacional de Doenças em 1993, o que explica como a doença ainda é pouco explorada no campo científico. Ciente desse fato, muitos profissionais da saúde não têm conhecimento necessário para diagnosticar de forma precisa e rápida, logo muitos portadores demoram a receber o tratamento, o que contribui para o isolamento social do indivíduo, dado que a doença se agrava. É, portanto, necessário que haja disciplinas no curso de medicina, que preparem melhor os estudantes para receberem cidadãos com essa demanda.

Dessarte, os percalços da inclusão de pessoas com autismo perpassa por todas as áreas na sociedade brasileira, por isso é preciso que o Estado os enfrente de maneira mais organizada. Dessa forma, o governo federal deve criar centros de referência para o autismo para todos as pessoas, por meio do Ministério da Educação e de leis, que visem implementá-los em todas as cidades do Brasil, com auxílio de profissionais capacitados e de pronto atendimento. Espera-se, com isso, que o atual panorama seja completamente revertido no nosso país.