Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No livro ‘‘Utopia’’ de Thomas Morus, o autor aborda uma sociedade progressiva e harmônica - livre de qualquer mazela social. Entretanto, quando se observa os desafios da inclusão dos autistas no Brasil, verifica-se que a sociedade idealizada por Morus não condiz, de fato, com a realidade. Diante desse contexto,é necessário que se mitigue a negligência escolar e a falta de empatia do corpo social.
A priori, é indubitável que a ausência de uma instrução escolar que discorra sobre o respeito às diferenças fortificam a problemática. Isso ocorre, lamentavelmente, porque o foco das matérias está em preparar os discentes apenas para provas. Consequentemente, aulas que abordem sobre tolerância, males do preconceito, ficam em segundo plano e as crianças, sem uma instrução adequada, podem explorar práticas como o bullying. Desse modo, é necessário que as escolas insiram aulas interativas sobre o tema com os alunos.
Outrossim, a falta de empatia do corpo social corrobora, infelizmente, para o agravamento do problema. Segundo a autora do discurso da ‘‘Banalidade do Mal’’ , Hannah Arendt, o pior mal é aquele oriundo da irreflexão. Dessa forma, quando a sociedade pereniza expressões como ‘‘débil mental’’ e até mesmo ‘‘autista’’ como ofensas, praticam, de modo irrefletido, a exclusão, juntamente com o preconceito, do público autista. Logo, é preciso que a população saia da inércia e se coloque no lugar do outro.
É evidente, portanto, que muitos são os impasses para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Urge, pois, que o Ministério da Educação crie projetos que abordem nas aulas, de educação física, por exemplo, a importância de valores morais como a tolerância, visando educar, desde o público infantil, a respeitar as diferenças. Além disso, cabe ao corpo social romper com o preconceito para com os autistas, para que assim, a sociedade abordada no livro de Morus ganhe, enfim, um pouco de realidade.