Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O seriado ‘‘The Good Doctor’’ retrata as dificuldades e preconceitos enfrentados pelo médico autista Shaun Murphy em seu trabalho num grande hospital norte-americano. Fora da ficção, no entanto, a realidade do protagonista ainda é comum, o que representa grave problema para que haja uma verdadeira inclusão do portador do transtorno do espectro autista, o TEA, na sociedade brasileira. Assim, deve-se descontruir os preconceitos e estigmas da população, além de promover condições individuais de desenvolvimento, de modo que os autistas sejam efetivamente integrados à sociedade.

Nessa perspectiva, o preconceito e a discriminação contra os portadores do TEA impedem que a sociedade brasileira seja verdadeiramente inclusiva. Nesse sentido, a obra ‘‘Casa-grande e Senzala’’, do sociólogo Gilberto Freyre, evidencia que a o corpo social colonial via as diferenças de forma negativa e com repulsa. Na atualidade, entretanto, a postura retrógrada se mantém: autistas continuam a ser segregados e motivo de zombaria por parte da população, inviabilizando, dessa maneira, sua integração à vida em comunidade.Tal fato é incoerente no Estado Democrático de Direito, que tem como base a garantia dos direitos básicos aos cidadãos, entre os quais há o de liberdade de convivência e o de expressão, cerceados dos portadores da síndrome.

Ademais, o tratamento inadequado da sociedade em relação aos autistas também representa um entrave para que esses sejam realmente incorporados no corpo social. Nesse viés, Aristóteles definiu o conceito de isonomia, segundo o qual os seres humanos devem ser tratados de forma igual perante suas desigualdades, que devem ser respeitadas. Ocorre que, em relação aos afetados pelo TEA, a mentalidade de grande parte da população brasileira torna-a incapaz de se ajustar às condições dos autistas, de modo que esses são continuamente excluídos ou tratados inadequadamente. Dessa maneira, deve-se desconstruir os preconceitos, enraizados historicamente, de modo a promover a integração de todos.

Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que as escolas, em parceria com as famílias, promovam a inclusão do autista na sociedade, de modo ao tornar o corpo social efetivamente democrático. Isso poderia ser feito por meio de oficinas e palestras que contariam com a participação de portadores de TEA, num projeto denominado ‘‘Igualdade Presente’’, que objetivaria desconstruir os mitos e preconceitos, de modo a minimizar a discriminação e a desinformação sobre o autismo. Com isso, poder-se-á efetivamente incluí-los na sociedade, de modo a torná-la realmente justa e fraterna, como idealizado pela Carta Magna.