Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Na série norte-americana “The Good Doctor”, um jovem médico autista chamado Shaun Murphy, vindo de uma vida calma no interior, começa a trabalhar em um famoso hospital e, além dos desafios da profissão, precisa provar sua competência e capacidade a seus colegas e superiores. Fora da ficção, a realidade apresentada é bem diferente, visto que a falta de interesse neste tema dificulta a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Sob esse viés, é necessário entender como a ausência de conhecimento sobre essa questão e a negligência das escolas dificultam na solução desses desafios.
Primeiramente, a demora na inclusão dos autistas na sociedade é apenas um reflexo do pouco que se sabe sobre o assunto. Isso acontece porque, apesar de o autismo ter um número relativamente grande de incidência, foi apenas em 1993 que a síndrome foi adicionada à Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. Nesse sentido, se tratando de algo tão recente e complexo, é mais complicado elaborar maneiras que possam inserir melhor as pessoas com este tipo de transtorno na sociedade contemporânea. Assim, fica fácil perceber que é preciso um estímulo para que esta inserção seja concretizada o quanto antes.
Ademais, segundo o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Similarmente a isso, é redundante dizer que dar um ensino de qualidade para estes indivíduos é a melhor maneira de integrá-los no mundo. Entretanto, muitos colégios rejeitam alunos com deficiência alegando que a escola não pode parar apenas para se ajustar à criança. Para o deputado professor Cleiton (PSB), pai de um menino com dislexia e déficits de atenção e de aprendizado, que tentou matricular seu filho em um colégio católico no início do ano, existe uma política de promoção da exclusão dentro das instituições de ensino. Logo, é nítido que, com atitudes assim, o Brasil está cada vez mais longe de dar acesso às pessoas com autismo e com outras síndromes também.
Infere-se, portanto, que os desafios para inclusão de pessoas autistas no Brasil devem ser neutralizados urgentemente. Em razão disso, o Governo Federal, órgão responsável por garantir a ordem e o bem-estar da população, deve implementar mecanismos de incentivo à inserção e campanhas de conscientização sobre o que é o autismo, além de instaurar leis mais rígidas que punirão as escolas que se recusarem a matricular alunos com necessidades e auxílios especiais por meio de ações planejadas juntamente ao Ministério da Educação e à Associação da Síndrome de Asperger no Transtorno do Espectro Autismo (Asa-Tea), a fim de superar todos os obstáculos dessa problemática. Afinal, tudo o que essas pessoas mais querem é ter uma vida normal como qualquer outro indivíduo.