Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/02/2021

O filme Temple Grandin retrata toda a história de vida de uma menina autista, até ela se tornar mulher. Ele consegue passar todas as sensações para o telespectador, desde as dificuldades e preconceitos por ela vividos, até a gratidão das pequenas conquistas e a sua superação. Os cenários expostos pela obra cinematográfica podem ser relacionados à realidade de diversos brasileiros autistas, de todas as faixas etárias, que sofrem com contratempos dentro de diversos aspectos todos os dias. Seja pela dificuldade de diagnosticar a doença, seja pela falta de mecanismos que promovam a inclusão. O autismo está presente na sociedade e é preciso que seja normalizado e não subestimado.

Em primeiro lugar, é cabível considerar que, de acordo com a ONU, existem mais de 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. Em contrapartida, a falta de pesquisas e investimentos nessa área, que acaba a tornando esquecida, faz com que o diagnóstico seja tardio na maioria dos casos e inespecífico. Em consequência disso, se torna difícil promover o tratamento adequado ao paciente, o que traria possíveis e consideráveis melhoras. Esse contratempo afeta principalmente as crianças portadoras dessa doença, pois se diagnosticada precocemente poderia trazer grande qualidade de vida a elas.

Pode-se afirmar que, a falta de conhecimento acerca da doença afeta tanto a vida dos autistas, quanto à de pessoas que convivem com eles, em razão de duas situações. A primeira é que esse transtorno pode se manifestar de imprevisíveis formas, o que acaba gerando uma demora até que seja notado.  A segunda é que o ser humano costuma rejeitar aquilo que não conhece, isso produz uma exclusão, que é ampliada pela falta de mecanismos inclusivos. Esse preconceito desencadeia mais impasses na vida do autista, das quais podemos citar: dificuldade de ser aceito nas escolas e não poder participar de atividades por não serem adaptadas. Além de que são poucos que ingressam na faculdade, pois a todo tempo têm que lidar com pessoas que os julgam incapazes e subestimam suas habilidades.

Desse modo, torna-se claro e evidente que é de grande importância que medidas sejam tomadas para que os obstáculos possam ser superados. Cabe ao Ministério da Saúde investir em profissionais capacitados e especializados, pesquisas que visam novas descobertas e tratamentos relacionados ao autismo. Cabe à mídia veicular informações que sejam úteis e que conscientizem a população. Também, é de dever do Ministério da Educação garantir que os alunos que portam a doença sejam aceitos em qualquer escola que eles desejem ingressar. Assim, caso as medidas sejam tomadas, o Brasil será um país mais justo e inclusivo.