Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 05/04/2021

O seriado americano “The Good Doctor” retrata a vida do jovem Shaun Murphy, que enfrenta os desafios de ser um médico autista em um hospital cheio de pessoas preconceituosas. Longe da ficção, o portador dessa síndrome enfrenta diversos desafios, seja em incluir-se na sociedade, seja em frequentar uma escola. Nesse viés, essa problemática de inclusão persiste por causa do preconceito perpetuado pela sociedade e da desestruturação vigente de instituições e corporações consequentes.

A priori, o preconceito marcante aos portadores da síndrome do autismo é a primeira grande causa da dificuldade de incorporação destes, visto que, eles sofrem discriminação nos primeiros anos de vida, ao buscar uma instituição de ensino para se alfabetizarem. Isto pode ser provado por meio de uma situação que ocorreu em Belo Horizonte - MG, onde as escolas particulares estavam rejeitando alunos com algum tipo de deficiência, destacando o espectro autista, com a justificativa de não possuírem ensino adaptado para essas pessoas. Falas como “Não trabalhamos com esse tipo de criança", “A escola não pode parar para se ajustar à sua filha.” e “Não há nada que essa escola possa fazer por ela” tiveram de ser ouvidas pelos pais dos alunos, algo de natureza cruel para os pais que querem, somente, oferecer educação para seus filhos. Ainda que o aluno portador da síndrome do autismo consiga a vaga em uma instituição, ele enfrenta outro problema ainda maior: a desestruturação e incapacitação das pessoas de lidar com ele.

A desestruturação é marcada pela falta de adaptação das escolas para esses alunos e pela incapacitação das pessoas que estarão ao redor deles. Segundo a psicóloga e especialista no assunto, Thais Boselli, além de incluir as pessoas de espectro autista na sociedade, é preciso uma atenção maior, demarcada pela capacitação de profissionais para lidar com essas pessoas, pois não se pode apenas “jogar” os portadores dessa síndrome nas instituições, mas sim, aprimorar técnicas de cuidado e atenção redobrada para os 2 milhões de brasileiros portadores desse espectro.

Nessa conjuntura, a dificuldade de inclusão de pessoas com autismo se deve ao preconceito e à desestruturação e falta de capacitação de profissionais que lidam diretamente nessa área. Para o preconceito, a Mídia, com todo o seu poder disseminatório, deve lançar campanhas de conscientização sobre preconceito com autistas e sobre o cuidado que eles merecem, para que a sociedade mude, de forma gradual, esse pensamento segregatório. Já para o problema de desestruturação, o poder Executivo com apoio do Conselho Estadual de Educação (CEE) deve propor cursos de capacitação de profissionais de diversas áreas, estabelecendo uma melhor forma de cuidar dos portadores da síndrome autista e reduzindo cada vez mais a exclusão destes.