Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 25/04/2021
O autismo é um transtorno de desenvolvimento que afeta cerca de dois milhões de pessoas no Brasil, mas de acordo com reportagem da revista Veja intitulada “Talentos extraordinários”, estudos recentes estimam que o número real possa ultrapassar três milhões, devido a diagnósticos tardios e à imensa subnotificação. Nenhum autista é igual a outro, mas há similaridades como a dificuldade de interação social e a presença de padrões restritos de comportamento, interesses ou atividades. Em suma, há três gradações: o autismo leve ou funcional, o moderado e o severo. São muitos os desafios da inclusão dessas pessoas no Brasil, como a dificuldade de serem inseridos no mercado de trabalho e também de conseguirem acesso à educação superior.
Em primeiro lugar, no que tange a inserção no mercado de trabalho, é importante dizer que no Brasil houve a aprovação da Lei conhecida como Berenice Piana em 2012, que se tornou um marco ao incluir autistas entre os demais portadores de deficiência, garantindo a eles tratamento via Sistema Único de Saúde (SUS) e sua presença no mercado de trabalho pelo sistema de cotas. Ainda segundo reportagem da Veja, as pessoas com grau leve são as que possuem mais habilidades a serem utilizadas pelo mercado de trabalho: possuem foco e disciplina, raciocínio lógico e boa memória. Entretanto, ainda encontram desafios como o fato de não terem plano de carreira nas empresas e terem salários mais baixos se comparados a outros funcionários. Outro importante desafio dos “atípicos” (termo que autistas costumam usar para se definir), é o contrangimento provocado por colegas de trabalho desinformados, que insistem em tratá-los de maneira infantilizada.
Em segundo lugar, em relação ao acesso à educação superior nota-se que são poucos os que conseguem alcançá-lo. Os desafios que impedem que cheguem ao nível superior são muitos, por exemplo: escolas que não possuem profissionais preparados para lidar com eles e ambientes barulhentos que atrapalham na concentração. É preciso que esses indíviduos sejam inseridos na sociedade, pois são extremamente competentes.
Portanto, visando solucionar tais impasses, é preciso que o sistema de cotas permaneça existindo no mercado de trabalho e que seja ampliado à educação de nível superior, a fim de permitir o acesso dos atípicos com maior facilidade. Órgãos competentes do Governo Federal (Ministério da Educação e do Trabalho) são importantes combatentes nessa luta: é necessário que haja profissionais preparados para lidarem com alunos autistas desde o ensino básico e que exista um ambiente adequado a eles. Já no mercado de trabalho, com o objetivo de evitar o constrangimento causado por colegas, é preciso que sejam realizados workshops que irão esclarecer sobre o que é o autismo e como lidar com eles.