Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 09/05/2021
Na série “The Good Doctor”, o protagonista sofre com o Transtorno do Espectro do Autismo e, por conta deste fator, tem de provar constantemente sua eficiência dentro do ambiente de trabalho e lidar com o preconceito de pacientes e de seus colegas. Fora da ficção, a realidade brasileira contemporânea oferece uma realidade semelhante à população autista, fator que influência a vivência dessa parcela da população, que possui inúmeros direitos negados e convive diariamente com a intolerância por parte da sociedade. Isso ocorre devido à ineficácia de políticas públicas voltadas para a inclusão de autistas na sociedade e desconhecimento social acerca desse transtorno.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que, de acordo com a Constituição de 1988, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é promover o bem de todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, o preconceito sofrido no âmbito escolar e a falta de oportunidade no mercado de trabalho para essa parcela autista da população — 80% dos autistas adultos não possuem emprego, segundo a Organização das Nações Unidas — expõe a incapacidade do Estado em desenvolver ações eficazes para cumprir com os objetivos estabelecidos para a formação de um país melhor e mais inclusivo. Sob tal ótica, é notório que a existência de medidas efetivas por parte do Estado que visem a inserção de autistas, em diferentes idades, na sociedade é crucial para que a problemática seja amenizada.
Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, o que expõe o papel crucial do conhecimento dado por meio das escolas no Brasil na construção de uma sociedade democrática e inclusiva. Nesse cenário, é crucial que haja um ambiente escolar que fale sobre o autismo e conscientize os alunos desde jovens sobre a importância da inclusão dessa parcela da população, visto que, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, 99,3% dos ambientes escolares no Brasil são atingidos por algum tipo de preconceito, o que impossibilita uma educação de fato libertadora e que forme adultos livres de preconceitos. Portanto, urge a necessidade de medidas para solucionar tal problemática.
A partir dos argumentos supracitados, para efetivamente reduzir casos de exclusão social de autistas na sociedade brasileira, medidas devem ser tomadas. Desse modo, a fim de garantir a conscientização da população brasileira de todas as faixas etárias sobre o autismo, cabe ao Estado, por meio de parcerias com o Ministério da Educação e veículos midiáticos, realizar a contratação de profissionais da educação para desenvolver propagandas à nível nacional sobre o transtorno e como realizar ações de inclusão para pessoas autistas no cotidiano. Desta forma, será possível garantir um Brasil democrático e livre de preconceitos para a população autista.