Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 13/05/2021
Em 2020, foi sancionada a Lei Romeo Mion que criou uma carteira de identificação da pessoa autista no Brasil. Essa Lei recebeu o nome do filho do apresentador Marcos Mion, Romeo, que possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entretanto, sabe-se que isso ainda não é o ideal para promover a inclusão de pessoas com o TEA no Brasil, tornando-se um processo desafiador, devido ao preconceito contra autistas, bem com a insuficiente quantidade de instituições públicas especializadas.
Em primeira análise, percebe-se que o preconceito contra pessoas com TEA é comum. Isso é demonstrado na série “The Good Doctor”, onde, no início do seriado, abordam-se as dificuldades que o protagonista - médico e autista Shaun Murphy - enfrenta ao iniciar a carreira no hospital, pois a equipe médica duvidava da sua capacidade em exercer a profissão, por causa do autismo e suas características comportamentais. Desse modo, entende-se que o preconceito acerca do autismo ocorre por causa do modo particular de autistas agirem, pois o TEA afeta a interação, comunicação e desenvolvimentos cognitivo, logo, o indivíduo realiza movimentos repetitivos, é sensível a ruídos, agressivo, possui falta de atenção etc.
Ademais, percebe-se que há uma escassez de instituições públicas e recursos financeiros que auxiliem no diagnóstico e a inclusão de pessoas com TEA no país. Dentre essas instituições, destacam-se a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), porém elas não conseguem suprir a demanda, porque essas instituições também atendem pessoas com outras deficiências intelectuais, o que aumenta, consideravelmente, a quantidade de pacientes. Além disso, sabe-se que a equipe multidisciplinar que cuida de autistas é grande, contendo profissionais da fonoaudiologia, terapia ocupacional, educação física, psicopedagogia e neurologia. Assim, infere-se que é um amplo trabalho e de custo elevado.
Entende-se, portanto, que desafios são enfrentados na inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nessa perspectiva, torna-se necessária a ação dos Ministérios da Saúde e Cidadania - órgãos federais competentes - na inserção de recursos em instituições públicas, como os CAPS, além de realizar parcerias com as Apaes, por meio de contratação de profissionais, investimentos em infraestrutura e ampliação desses locais pelo território brasileiro, a fim de atender mais autistas e ajudá-los no desenvolvimento. Além disso, é salutar que a mídia promova campanhas com fins informativos sobre o TEA para a população, ampliando o conhecimento sobre o autismo. Dessa forma, torna-se possível combater esses desafios e propiciar a efetiva inclusão de autistas no país.