Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

No seriado norte-americano “Atypical”, o protagonista Sam, um jovem autista que, apesar da boa condição financeira e um ambiente familiar acolhedor, batalha diariamente para incluir-se no seio social, ainda carregado de preconceito e pouco preparado para ele. Fora da ficção, no Brasil, o cenário não difere muito do ficcional, uma vez que a nação carece na inclusão dos indivíduos afetados pela Síndrome do Espectro Autista, seja tanto pelos falsos estigmas que circulam a doença, quanto ao “apagamento” destes indivíduos nas representações da sociedade nacional.

Sob análise primária, é necessário compreender como a perpetuação de preconceitos errôneos acerca do autismo corroboram para a morosa inserção das pessoas afetadas pela doença no país. De acordo com a sociologia, a cultura (conjunto de morais e verdades relacionadas ao senso comum de uma sociedade), possui um papel fundamental na formação da mentalidade dos indivíduos sociais. Nesse contexto, na cultura brasileira, a difusão de mentiras sobre o autismo, à exemplo da crença de que esses indivíduos são incapazes de conviver com pessoas “normais”, torna a exclusão e aversão ao diferente algo trivial, de modo a ferir os próprios Direitos Humanos, documento que preza a aceitação e inserção de todas as pessoas.

Sob análise outra, cabe debater acerca da pobre representação dos cidadãos brasileiros afetados pela Síndrome do Espectro Autista nos meios de comunicação, como um obstáculo para a inclusão destes no território verde-amarelo. Apesar da criação de uma data internacional para a conscientização do autismo, dia 2 de Abril, pela Organização Mundial da Saúde, a carência de “rostos conhecidos” nesta, auxilia para o falso senso de inclusão, principalmente no Brasil. De modo a exemplificar, cabe citar um dos maiores nomes do futebol, o astro Lionel Messi, que sofre com um grau de autismo e, entretanto, não é utilizado como “porta voz” da causa.

Medidas, portanto, são necessárias para resolução da problemática. Compete ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a criação de um projeto denominado “Chega de preconceito: o autismo tem rosto”, com intuito de difundir informações acerca da síndrome nos veículos de comunicações como as mídias sociais e intervalos de canais de televisão. Esse projeto será realizado com o convite de pessoas famosas e que sofrem algum grau da doença, de modo a quebrar falsos estigmas vigentes. Assim, será possível alterar o panorama atual e tornar situações como a do Sam, extintas no Brasil.