Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Em 2020, foi sancionada a Lei Romeo Mion, que criou a carteira nacional de identificação da pessoa autista no Brasil. Essa Lei recebeu o nome do filho mais velho, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), do apresentador Marcos Mion. Entretanto, sabe-se que a inclusão de pessoas com o TEA no Brasil ainda é um processo desafiador, pois enfrenta obstáculos como o preconceito contra autistas, bem como a ausência de conhecimento sobre o autismo pela população.

Em primeira análise, percebe-se que o preconceito contra, com TEA é comum. Tal questão pode ser observada na série “The Good Doctor”, na qual abordam-se, no início do seriado, como dificuldades que o protagonista - médico e autista Shaun Murphy - enfrenta ao iniciar a carreira no hospital, porque a equipe médica duvida de sua capacidade em exercer a profissão, por causa do TEA. Desse modo, percebe-se que a consequência disso impacta diretamente na inclusão, não apenas em sociedade, mas também no âmbito profissional, visto que há um bloqueio e questionamentos sobre autistas, além de pouco se identificar tentativas de inclusão.

Ademais, é notório que há uma escassez de conhecimento do TEA no Brasil. Afirma-se isso com base na matéria realizada pelo programa “Profissão Repórter” sobre o autismo, na qual apresentou-se o caso de uma pessoa com autismo severo que vivia trancada em casa com correntes, pois sua família não sabia lidar com o seu comportamento. Dessa forma, identifica-se que o desconhecimento sobre o autismo e suas características exclui o indivíduo do convívio em sociedade. Esse problema ocorre, pois o TEA afeta o desenvolvimento cognitivo, a interação e comunicação, logo, o autista tem um modo particular de agir, como realizar movimentos repetitivos, gritar, ser agressivo e ter déficit de atenção. Assim, se o responsável não souber como amenizar essas características, provavelmente o autista será privado do convívio social.

Entende-se, portanto, que desafios são enfrentados na inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nessa perspectiva, torna-se necessária a ação dos Ministérios da Saúde e da Cidadania no auxílio de autistas e suas famílias, por meio de campanhas educacionais sobre o autismo, bem como direcioná-los a centros de acompanhamento de pessoas com necessidades especiais - para acompanhamento médico, psicológico e terapêutico -, a fim de ampará-los a nível de saúde, cidadania e educação. Além disso, é salutar que a mídia promova campanhas para educar e orientar a população em geral a cerca do comportamento e características das pessoas com autismo, por meio da televisão, rádio e internet, com o intuito de reduzir o proconceito contra autistas. Dessa maneira, pode-se combater os desafios e promover a efetiva inclusão de autistas no país.