Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

O pensador Sigmund Freud, em seu texto “O futuro de uma ilusão’’, alerta os leitores para o fato de que, quando uma civilização deixa insatisfeito um grande número de seus participantes, não tem e nem merece ter uma existência duradoura. Ao estabelecer essa sentença psicanalítica como ponto de partida para fomentar discussão sobre os desafios da inclusão do autismo no Brasil, é preciso entender que indivíduos com espectros autistas requerem atenção especial. Desse modo, cabe analisar a falta de conhecimento da população sobre o autismo, bem como esclarecer a má estruturação das escolas para inclusão desse grupo social.

Em face desse questionamento, pode-se afirmar que a pouca informação sobre o autismo dificulta o diagnóstico do transtorno. Isso é evidente pelos diversos casos de indivíduos diagnosticados tardiamente,  por causa da imprecisão de resultados, mesmo com exames genéticos. Inclusive, observa-se que o conhecimento limitado da questão acarreta no preconceito, pois em contato com o desconhecido o homem tende a reagir defensivamente, o que o leva a tratar os cidadãos autistas de maneira errônea. Nesse sentido, como postula Bourdieu, em sua teoria “habitus”, os indivíduos adquirem um conjunto de comportamentos a partir de experiências sociais, de modo que pelo convívio em uma sociedade preconceituosa, há a exclusão social de autistas. Logo, a inclusão social é um proceso possível de se educar.

Nessa perspectiva, outro ponto relevante é a perda da cidadania dos indivíduos com espectro autista. Convém, é claro, notar que o autismo afeta vários aspectos da comunicação e do comportamento do indivíduo, então, aprendem de maneira diferenciada e necessitam de atendimento especial que supram todas suas necessitades de saúde. Além disso, instituições de ensino que não possuem acompanhamento e avaliação de profissionais especializados excluem parte da população, impedindo seu direito à escolaridade e, consequentimente sua posição como cidadão. Nessa lógica, segundo Thomas Bottomore, a sociedade é uma rede de relações entre grupos sociais e entre indivíduos, de maneira que para que uma sociedade seja igualitária, deve oferecer recursos que atendam a todos. Desse modo, a falta de preparo das escolas é inadimissível.

Portanto, constata-se necessária a criação de medidas de inclusão social para o autismo. Dessa forma, compete às escolas promover recursos que atendam as necessidades de alunos especiais, a partir de atendimentos multiprofissionais e elaboração de métodos alternativos de ensino, visando possibilitar a participação desses cidadãos na sociedade. Ademais cabe à OMS criar políticas públicas que permitam obter diagnósticos mais rapidamente. Assim, espera-se resolver a questão abordada.