Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

No curta original da Disney Plus, “Flutuar”, quando um pai descobre que seu filho possui habilidades incomuns, decide isolar o menino por medo do julgamento da sociedade. Este cenário ficcional muito se assemelha aos desafios de inclusão vividos por pessoas autistas no Brasil. Nesse contexto, é possível afirmar que essas dificuldades se dão pelo pouco que se sabe sobre a deficiência, além dos preconceitos existentes a respeito da mesma. Dessa forma, faz-se necessária uma análise sobre o tema.

Em primeiro âmbito, é relevante mencionar que um grande obstáculo para a inclusão de indivíduos portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a falta de conhecimento que se tem até hoje sobre este. De acordo com a psicóloga e consultora, Thais Boselli, pessoas autistas deveriam ser acompanhados por médicos desde os dois anos de idade, o que poderia amenizar seus sintomas e facilitar a socialização. Entretanto, o diagnóstico do autismo é algo ainda muito impreciso, pois, mesmo que existam características semelhantes entre os enfermos, como a dificuldade na comunicação, a sindrome pode se expressar de diversas maneira e em diversos níveis. Assim, estes cidadãos, somente depois de anos de testes e exames, serão diagnosticados, o que prejudica a integração deles na sociedade.

Em segundo âmbito, deve-se falar dos preconceitos relacionados ao TEA e como eles afetam o processo de agregação dos enfermos. Nesse sentido, a discriminação de pessoas autistas, assim como muitas outras formas de propagação de ódio, se dá pela ignorância a respeito do assunto. Em analogia ao mito da caverna de platão, onde os moradores da caverna julgam o mundo exterior pelas sombras deformadas projetadas nas paredes, muitas pessoas vêem o autismo de forma superficial e distorcida - Uma doença mental cujos portadores são malucos - sem procurar entender o que a sindrome realmente é. Com isso, esta visão que a sociedade tem em relação a deficiência acaba por impulsionar casos de exclusão como o ocorrido Minas Gerais, onde, segundo o jornal O TEMPO, foi relatado que escolas particulares haviam negado a matrícula de crianças autistas.

Logo, feita análise do tema, é preciso criar uma intervenção. Portanto, a secretaria da cultura deveria promover propagandas em rádios e tvs onde seriam relatadas vivências do dia a dia de indivíduos portadores do TEA. Estes anúncios serviriam como uma forma de normalizar a sindrome na sociedade brasileira, de forma a mostrar que essas pessoas, apesar de suas dificuldades, podem viver uma vida semelhante à de todos brasileiros. Dessa maneira, é possível que autistas possam ser incluídos em sociedade, assim como a criança, no final de “Flutuar”, pode voar livremente na frente de todos.