Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
A filósofa alemã Hannah Arendt, no livro “A Condição Humana”, analisa o “animal laborans”, ou seja, aquele que se torna escravo de uma sociedade egocêntrica e competitiva. Além disso, o pensamento da escritora caminha para a coletividade, tão importante para amenizar diversos problemas sociais, relacionados, inclusive, à inclusão de pessoas com autismo ao redor do mundo. Tal ideia pode se relacionar ao Brasil na medida em que os desafios para a consolidação de uma nação justa e igualitária são muitos, dentre os quais se destacam o individualismo e a idealização de um país perfeito.
Sob essa ótica, é impreterível afirmar que a sociedade moderna segue um movimento que diminui a preocupação com outras pessoas. Esse cenário é evidente no livro “A Sociedade do Cansaço”, escrito em 2015 pelo filósofo Byng-Chul Han, que explica como o ser humano, individualista, exclui o outro. A partir desse viés, observa-se que, no Brasil, a falta de união da população dificulta, também, o desenvolvimento da inclusão de indivíduos com autismo. Nesse sentido, o autocentrismo faz com que os cidadãos coloquem seus interesses próprios acima da equidade da população, ou seja, sem oferecer medidas que favoreçam todos os grupos sociais. Desse modo, as pessoas autistas têm suas especificidades ignoradas pela população egoísta e são obrigados a viver como os outros indivíduos.
Ademais, vale ressaltar que a idealização de uma nação sem problemas impede a evolução da inclusão social no país. Nesse contexto utópico, compreende-se a ideia de “eudaimonia”, do filósofo Aristóteles, que significa felicidade eterna. Contudo, na atualidade, esse conceito é confundido com o prazer momentâneo, isto é, que entrega picos de alegria para o sujeito. Sendo assim, no Brasil, quando o cidadão ignora a desigualdade como fator limitante para uma conjuntura justa, ele obtém uma sensação de harmonia temporária. Essa perspectiva é clara na situação das pessoas com diversos transtornos, destacando-se o autismo, que, muitas vezes, não recebem o diagnóstico correto e passam a vida inteira sendo marginalizadas pela sociedade. Dessa maneira, não buscar a igualdade nem romper com o sistema atual são tentativas falhas de alcançar a “eudaimonia” e um país propício.
Logo, dado que a não inclusão de pessoas com autismo na sociedade apresenta desafios, conclui-se que esses necessitam ser contornados. Para tanto, o Ministério da Saúde deve investir na ampliação de medidas que favoreçam o bem-estar dos indivíduos com autismo. Esta ação será realizada por meio da circulação de propagandas - nos principais meios de comunicação - que informem e conscientizem as pessoas sobre a doença, e do oferecimento de mais consultas, a fim de atender as pessoas de acordo com suas necessidades. Com tais medidas, espera-se amenizar o autocentrismo e a idealização exagerada, para alcançar a realidade de igualdade e de justiça apresentada por Arendt.