Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Do século XVII ao XVIII, na Europa, a corrente filosófica do Iluminismo, dotada de ciência e racionalidade, expunha diversos pensamentos. Dentre esses, a premissa de que o homem está em condições de tornar este mundo um mundo melhor. No entanto, ao analisar a realidade da inclusão de pessoas com autismo no Brasil contemporâneo, verifica-se que esse ideal iluminista é utópico, e a problemática prossegue inerentemente ligada à realidade do país. Nesse ínterim, a falta de estrutura educacional, bem como o estigma social ainda atrelado a esses indivíduos configuram um grave impasse.

De início, é notório destacar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos aborda o estudo como um direito de todo cidadão, contudo, é perceptível que em algumas unidades de ensino este direito é negado à aqueles que possuem algum tipo de deficiência. A falta de instituições voltadas para o atendimento de pessoas com autismo é um dos principais motivos pelo qual existe uma grande dificuldade de inclusão dessas pessoas no Brasil. Prova disso recai na diminuição dos mesmos em instituições de ensino e no mercado de trabalho.

Ademais, cabe ressaltar que ainda que tenha ocorrido a democratização da internet, que tornou o acesso ao conhecimento mais acessível e informações mais difundidas, ainda existe um grande estigma ligado às pessoas com autismo. Esse contexto envolve uma sociedade pouco preocupada com a verdade sobre as doenças e síndromes existentes na atualidade, e que, muitas vezes, repassam informações erradas e pré-conceitos. Sendo assim, torna-se urgente reconhecer que pessoas deficientes fazem parte do corpo social, e que merecem um tratamento isonômico.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Fazendo-se necessário, então, que haja uma solidificação nas políticas que visam à construção de um mundo melhor, sendo dever do Ministério da Educação desenvolver o debate desse tópico nos centros de ensino do país, e incentivar a criação de escolas destinadas à educação dessa parcela da população. Além de ser dever do Poder Executivo, por meio do Ministério das Comunicações, promover a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista. Dessa forma o Brasil pode caminhar rumo ao ideal iluminista.