Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
No seriado “Glee”, a personagem Sue Sylvester dedica grande parte da sua vida a defender sua irmã deficiente do preconceito e, posteriormente, trabalha pela inclusão de sua aluna com Síndrome de Down, Becky Jackson, no ambiente escolar. Fora da ficção, a desassistência e exclusão no Brasil de pessoas autistas é uma realidade lamentável, da qual é preciso pôr as causas em análise para chegar em uma resolução. Sendo assim, a intolerância da sociedade e o despreparo das instituições de ensino são desafios para a inclusão de indivíduos com autismo no país.
Primordialmente, o preconceito com pessoas autistas é um impasse para a entrada desse grupo no mercado de trabalho e em diversos outros setores da sociedade. Nesse sentido, de acordo com a Câmara dos Deputados, um projeto de lei para criar um “disque-denúncia” de discriminação contra autistas está sendo analisado em caráter de urgência, o qual será gratuito e disponibilizado nacionalmente. Com base nisso, evidencia-se a gravidade da intolerância à esses indivíduos no Brasil, a qual é gerada por uma desumanização cultural de pessoas que não se encaixam no padrão imposto pela sociedade, problema que perpetua-se no país de forma inaceitável.
Ademais, o despreparo das instituições de ensino para acolher e educar de maneira adequada os estudantes autistas é um dos principais fatores responsáveis pela evasão escolar desse grupo, contribuindo ainda mais com sua exclusão social. Nesse prisma, tal situação contraria o artigo 5° da Constituição Federal, o qual prevê que todos os cidadãos brasileiros devem usufruir dos mesmos direitos sem distinção de qualquer natureza. Portanto, essa incompetência do sistema escolar além de promover a discrepância entre estudantes com deficiência e sem deficiência, tornando cada vez mais raro encontrar uma pessoa autista na condição de um trabalho digno, também atrofia as habilidades sociais desse sujeito, as quais seriam desenvolvidas ao frequentar a escola.
Enfim, com o objetivo de superar os desafios da inclusão de indivíduos com autismo no Brasil, medidas devem ser tomadas. Em primeiro lugar, cabe às Instituições de Ensino estimular aulas temáticas na área de Humanas, palestras e debates que favoreçam a conscientização de jovens e adultos sobre o autismo e a linguagem inclusiva, a fim de combater atitudes capacitistas dentro e fora do âmbito escolar. Em segundo lugar, cabe ao Ministério da Educação promover um programa obrigatório de capacitação de todas as instituições de ensino e professores para a educação de alunos com autismo e outras deficiências, vencendo assim, o despreparo da educação brasileira para com esses estudantes e propiciando a inserção e permanência de alunos autistas na escola. Dessa maneira, poderá ser construída uma sociedade mais representativa, empática e inclusiva no país.