Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Na Grécia antiga, os Spartanos deixavam bebês que nasceram fracos, deformados ou doentes morrerem, pois eles não conseguiriam estar aptos para uma vida militar, isentando-os, portanto, de uma vivência normal na pólis. Não distante de uma realidade vivida séculos atrás, no Brasil atual, ocorre um isolamento de pessoas com o autismo, sendo um desafio para incluí-las na sociedade. Nesse viés, a referida circustância se dá pelo preconceito sobre essas pessoas, além do despreparo dos profissionais de educação em relação a forma de lidar com alunos que apresentam tal síndrome. Dessa forma, medidas devem ser tomadas com o fito de impedir a permanência desse quadro no país.
Sob essa ótica, é necessário enfatizar que o preconceito com indivíduos autistas afeta de forma ampla uma vivência saudável deles na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, Émile Durkheim, de acordo com sua teoria da Solidariedade Orgânica, ressalta o fato do homem atual não apresentar uma consciência coletiva, pois ele está inserido em um meio capitalista e de divisão trabalhista enérgica. Ou seja, mesmo que pessoas portadoras de síndromes neurológicas sejam altamente impactadas em seu desenvolvimento social pelo preconceito sofrido, os intolerantes não terão nenhuma preocupação, pois são totalmente individualistas, pouco se importando com a consequências de suas atitudes, a não ser que afetem eles mesmos. Com isso, o objetivo dos preconceituosos se torna mais próximo com o de Sparta de séculos atrás: a rejeição e o isolamento dos considerados, por eles, diferentes.
Paralelamente, é notório a falta de preparo dos profissionais educacionais no tratamento perante alunos autistas. Nesse sentido, segundo Hannah Arendt, a escola é uma ponte entre o mundo público e o privado, tendo a educação como fator primordial no processo de socialização do indivíduo. Logo, a partir do momento em que um estudante, já portator de dificuldades comportamentais e comunicativas, não recebe uma atenção educacional de mínima qualidade, sua inclusão na sociedade se torna ainda mais afetada. Dessa maneira, instituições responsáveis pela escolarização tem de intervir na situação.
Portanto, tendo em vista as consequências negativas geradas pelos problemas em questão, intervenções devem ser propostas. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação criar um novo plano de tratamento especial para alunos que possuem síndromes, como o autismo, para que eles consigam concluir seu processo de socialização de forma benéfica. Além disso, o Ministério da Cidadania deve, junto ao Ministério da Educação, realizar palestras, nas escolas, com presença de sociólogos e neurologistas. Isso deverá ser feito com o intuito de explicar a condição especial das pessoas autistas, ajudando a disseminar a ideia de que possuem dificuldades de interação, mas não devem ser discriminados por isso. Assim, espera-se uma melhoria na inclusão social desses indivíduos no Brasil.