Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Na série dirigida por Robia Rashid, é apresentado ao público os dilemas encontrados pelo personagem Sam Gardner portador do espectro autismo, no qual Sam se depara com inúmeras dificuldades de inclusão e compreensão das ideologias sociais. A obra assemelha-se ao contexto dos indivíduos com autismo no Brasil, os quais, bem como na série, encontram muitos empecilhos no que diz respeito a inclusão social. Esse cenário é advindo das ideologias do sistema econômico vigente, o qual traz para as relações humanas uma lógica de mercado. Assim, dentre as questões que aprofundam essa problemática destacam-se o silenciamento no meio midiático desses indivíduos juntamente com a objetificação dos corpos no tecido social. Em primeior plano, é importante salientar que o emudecimento dos portadores do autismo por parte da mídia somado aos interesses neoliberais solidifica a não inclusão desses indivíduos. Isso ocorre devido a subversão do papel midiático, o qual tornou-se uma mera ferramenta de perpetuação dos valores mercadológicos das classes dominantes, pautando suas programações em conteúdos acríticos, o que corrobora para a vulnerabilização dessa parcela social. Análogo a essa ideia o sociólogo alemão Karl Marx afirmou que ‘‘a desvalorização do mundo humano, aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas’’, uma vez que é evidente a supervalorização da obtenção do lucro em detrimento da marginalização de debates sobre a inclusão de grupos magitariamente excluídos. Além disso, a desumanização desses sujeitos aliado aos valores capitalistas cristaliza a desinclusão dos individuos portadores do espectro autista. Esse cenário advém da construção social presente no imaginário coletivo de que a parcela populacional portadora de autismo é assimilada a inutilidade, o que pauta-se na lógica de produção do sistema economico vigente, portanto no meio social esses indíviduos não são aceitos como cidadãos, mas são vistos erroneamente como um peso para a sociedade. Congruente a esse pensamento a ativista e escritora francesa Simone de Beauvoir afirmou que ‘‘O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles’’, já que por mais assustador que seja a ideia de subalternizar pessoas a partir de um sistema de produção, é ainda mais escandaloso o fato de isso ser aceito no meio social. Portanto, é essencial reconhecer que a não inclusão dos portadores do autismo tem origem nos ideais capitalistas. Logo, para solucionar o quadro em questão é necessário que o Governo Federal crie um Programa Nacional de Inclusão Social,por meio de um projeto de lei a ser votado no Congresso, que proponha incentivos fiscais aos veículos midiáticos que abordarem o tema, apresentando suas causas e consequências, a fim de promover no imaginário coletivo responsabilidade para com os portadores do autismo.Junto a isso,esse mesmo Programa deve propor debates públicos voltados a conscientização popular.