Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

A obra “Utopia”, escrita pelo autor humanista Thomas Morus, retrata uma ilha que seria um protótipo de perfeição social, da mais plena harmonia e bem-estar em termos humanos e econômicos. Entretanto, o Brasil, longe de construir um lugar como o de Morus, não experimentou a possibilidade de desenvolver medidas que incluíssem as pessoas com autismo, uma vez que cresce, cada vez mais, o desamparo social em relação a essa parcela. Nessa perspectiva, torna-se pertinente analisar como os desafios, tais como a negligência estatal e o egoísmo do indivíduo, aliado ao pensamento capacitista, influenciam nessa problemática.

De início, é vital postular que, aliadas às ideias do filósofo Bauman, em sua teoria “Instituição Zumbi”, as instituições responsáveis por gerir a sociedade, como o Estado, perdem suas funções sociais, uma vez que a imparcialidade permeia em suas ações. No que tange à inclusão de pessoas com autismo não é diferente. Isso ocorre graças à falta de projetos eficientes na inclusão dessa parcela na sociedade, por exemplo na escassez de fiscalização no âmbito escolar, ou seja, se há, de fato, a efetivação e liberação da matrícula de pessoas com autismo, visto que existem escolas que não permitem o ingresso de indivíduos com deficiência. Consequência disso é a marginalização dos acometidos por autismo, tornando-os incapazes de usufruir de seus direitos básicos, como a educação, além de impedí-los de ascender socialmente. Portanto, fica evidente que a negligência estatal é um desafio que impede a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Ademais, vale ressaltar o papel egoísta do indivíduo. Consoante às ideias do filósofo Schopenhauer, o ser humano é essencialmente egoísta em vários aspectos sociais, principalmente no convívio com pessoas com autismo. Isso acontece devido ao pensamento capacitista, uma associação errônea na qual interliga um indivíduo com deficiência, seja ela física ou mental, à falta de capacidade de relacionamento e  socialização, excluindo-o de qualquer atividade social, por exemplo no ciclo de amizade e no mercado de trabalho. Conclui-se que o egoísmo do indivíduo, acompanhado pelo preconceito capacitista é um dos obstáculos para concretizar a inclusão de pessoas com autismo.

Ações, portanto, deverão ser efetuadas para resolver o impasse. Para isso, é necessário que o governo crie projetos eficientes, como a fiscalização das instituições educacionais, por meio de reuniões, sobretudo com a presença de especialistas, a fim de incluir a parcela com austismo, além de garantir que ingresse igualmente nas escolas. Ademais, é importante que o Ministério da Educação promova campanhas didáticas acerca da importância da empatia da sociedade com as pessoas com autismo, com a intenção inserí-las nas atividades sociais e eliminar os pensamentos capacitistas.