Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Na obra “Utopia” do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa no cenário brasileiro é o oposto ao que o autor prega, uma vez que, os autistas necessitam de uma devida atenção pois, sofrem diversos obstáculos para se incluir na sociedade. Desse modo, é essencial analisar tal quadro, ligado ao estigma relacionado à doença e a negligência governamental.
Sob esse viés, é necessário salientar o preconceito que os autistas sofrem na sociedade, gerado pela falta de conhecimento e representatividade. Apesar da OMS estimar que existam 2 milhões de autistas no Brasil, é observado que pouco se sabe sobre a doença por conta da falta de discussão sobre isso no país. Por consequinte, pessoas diagnósticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), sofrem diversos julgamentos, através de gestos ou palavras ofensivas, além do atraso no tratamento de várias, pois muitos profissionais desconhecem os sintomas da doença, vindo disgnosticá-la muito tarde, quando já é abrangente. Dessa forma, é necessário que haja uma postura mais empática por parte da maioria dos indivíduos que devem se informar antes de querer julgar alguém e garantir um tratamento mais digno de respeito à aqueles que sofrem desta condição.
Ademais, a desconsidereção do governo para com as causas autistas é um viés que dificulta a solução do impasse. É indiscutível que há uma falta de políticas públicas para oportunizar a inclusão dessa minoria populacional nas cidades, principalmente nas escolas, as quais muitas têm histórico de rejeição de crianças autistas, por considerá-las “difíceis”. Assim como, é indubitável que a maioria da verba do Estado não é usada para a criação e a prática destas leis, comprovando o ponto de vista da filósofa alemã Hannah Arendt que diz, “De nada vale um princípio constitucional, se não há condições viáveis para sua aplicalidade”. Nessa perspectiva, é importante salientar que essa situação, causada pela irresponsabilidade governamental, tem que se extinguir para que possa ser promovida a devida socialização, de extrema necessidade dos autistas, com a outra parte da sociedade.
Portanto, se faz necessária uma tomada de medidas para que a situação não tome consequências alarmantes. Visto isso, o Governo Federal, em parceria com as prefeituras, deve instruir a população sobre o que é o autismo e a importância de respeitar aqueles portadores da doença, por meio de congressos abertos ao público que discutirão sobre o assunto em escolas, faculdades e demais espaços públicos, visando uma maior inclusão dos autistas na sociedade e um melhor tratamento aos mesmos. Assim, a sociedade caminhará para a “Utopia” de More.