Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

A célebre série americana “Atypical” trata de forma didática os desafios enfrentados pelo personagem Sam, diagnosticado com autismo. Em um de seus episódios, há o debate acerca de como tornar inclusiva uma festa tradicional do ensino médio para ele, que apresenta um certo incômodo com o barulho do lugar. Fora das telas, percebe-se na conjuntura atual brasileira, o desafio da inclusão de pessoas com autismo, a qual não é garantida plenamente. Diante disso, tal problemática persiste tanto pela falta de estrutura escolar quanto pelo sentimento de apatia.

Deve-se pontuar, de início, que as instituições escolares carecem de uma estrutura adequada para acolher alunos autistas. À vista disso, de acordo com a lei federal n° 12764, indivíduos com TEA passam a ser considerados oficialmente pessoas com deficiência, tendo o direito ao ingresso e permanência na escola, devendo sua educação apresentar caráter inclusivo. Não obstante, observa-se que esse direito essencial não é oferecido como deveria, uma vez que grande parte das instituições escolares carecem de um ambiente estruturado para receber esses indivíduos. Isso é constado na ausência de profissionais capacitados para acompanhar crianças e adolescentes autistas, dificutando o acesso desse grupo minoritário no espaço escolar.

Outrossim, o sentimento de apatia é algo presente na contemporaneidade. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações entre os indivíduos se baseiam em aspectos artificiais, aumentando o individualismo. Nesse sentido, ps alunos tidos como “típicos” perpetuam a exclusão de grupos menos favorecidos, tendo em vista a inexistência de uma consciência coletiva de inclusão para pessoas autistas. Diante dessa conjuntura, a escola deve incentivar a empatia e a conscientização desses alunos.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de promover uma educação inclusiva referente aos indivíduos autistas. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação prover as instituições escolares profissionais capacitados, que possam lidar especificamente com crianças e adolescentes com espectro autista, a fim de oferecer um ensino adequado e de qualidade. Ademais, as escolas devem realizar ações educativas; tais como: palestras e debates acerca da temática do autismo entre estudantes, levando o conhecimento e a desconstrução dos preconceitos, com o fito de instituir a integração social na sala de aula. Assim, garantir-se-á a inclusão de pessoas autistas nas instituições prevista pela lei 12764