Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Por ser considerado um tema delicado, pouco se toca no assunto e consequentemente poucas dúvidas são esclarecidas. A banalização do tema autismo é incompreensível, uma vez que já existam diversos métodos de conscientização e pessoas dispostas a explicar o funcionamento do espectro autista e suas variações.

O autismo sempre foi banalizado em nossa sociedade, ora na antiguidade onde crianças eram assassinadas por simplesmente possuírem tal condição, ora atualmente onde autistas são motivos de piadas e alvos “fáceis” para qualquer um que possua a vontade de desvalidar alguém.  Modernamente termos como “mongolóide”, “lesado”, “retardado” e “demente” são comumente termos ofensivos utilizados para nomear autistas e o próprio termo autista é utilizado, de forma errônea, para descrever alguém com uma postura mais rígida, ou pouco comunicativo. Logo, somando a banalização do tema junto da forma ofensiva e agressiva a qual o autismo é tratado temos uma detuparção na forma que tratamos pessoas que fazem parte do TEA, Transtono do Espectro do Autismo.

No Brasil existem diversas formas de conscientização mas essas são pouco estimuladas pelo governo e pela própria mídia, já que o autismo, em sua grande maioria, é considerado um fator “plausível” para o isolamento social de alguém. Contrapondo isso, recentemente houve uma grande repercusão sobre o tema na internet, já que a partir da plataforma de livestreams Twitch e engajamento do público alvo da empresa, entre 18 e 34 anos, Wesley, streamer brasileiro mais conhecido como Lindinho e parte do espectro autista, iniciou um hashtag (#YADINHO) em prol do autismo em uma de suas transmissões. Esta hashtag foi compartilhada e recebeu apoio de diversas celebridades relevantes, tal como o jogador de futebol Neymar, o cantor Péricles e até mesmo a página oficial da Turma da Mônica. Com isso, Lindinho arrecadou cerca de 250 mil reais destinados a seu projeto que ajuda crianças que fazem parte do TEA. Junto com ele, André, mais conhecido como Liminha e também parte do TEA, iniciou uma live na mesma plataforma, onde o motivo era o mesmo, arrecadação de fundo para o projeto em prol da luta diária que autistas enfrentam.

Conclui-se que a conscientização é gradativa e deve começar da base, atingindo primeiro os mais jovens para depois atingir os mais velhos. Além disso, devemos utilizar os meios de comunicação mais recentes para tal ato, propagandas em redes sociais a qual atraiam a atenção de quem rola a tela, recomendações de vídeos sobre o autismo sendo incluídos no lugar de tragédias sensacionalistas. Também podemos recorrer ao método mais relevante de interação atualmente, a escola, transformando palestras longas e entediantes em dialógos livres e sanadores de dúvidas com especialistas.