Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
As conhecidas séries “The good doctor” e “Atypical” expõem protagonistas autistas com alto grau de desenvolvimento intelectual. Mesmo com a característica proveitosa mostrada na televisão, os motivos que dificultam a inserção dos mesmos na sociedade brasileira são inúmeros, o preconceito e a falta de conhecimento sobre a doença são os principais. Assim, mostra-se necessária a discussão a respeito desses fatores para obter medidas que visem superar a exclusão.
Primeiramente, Erving Goffman, importante sociólogo, definiu “estigma” como características individuais que a sociedade acredita inferiorizar alguém. O conceito do autor canadense está muito inserida entre os brasileiros. Pessoas com o transtorno do espectro autista são altamente estigmatizadas no país, por terem como estereótipo a deficiência intelectual (problema que não atinge todos). O preconceito é um dos motivos que leva à exclusão social dessas pessoas, aumentando suas dificuldades no mercado de trabalho.
Ademais, o autismo foi adicionado à Classificação Internacional de Doenças há menos de 30 anos. As pesquisas a respeito dessa síndrome são recentes, lentas e complicadas, por ter um diagnóstico incerto e não se basear somente na genética. Pouco se sabe sobre ela e, por isso, a conscientização para o diagnóstico precoce é diminuta quando comparada a outras doenças. A falta de pesquisas sobre o autismo é outro motivo que leva a exclusão no Brasil, pois essas pessoas acabam sendo vistas como anormais pela sociedade, por não ter tanto contato com informações sobre o transtorno.
É visto, portanto, a necessidade de implantar medidas para reduzir os desafios na inclusão dos brasileiros autistas. Para isso, as escolas devem tratar mais sobre a doença desde a infância, colocando-a como uma característica normal e igual a de qualquer outra pessoa, por meio de palestras e vídeos, para que haja a diminuição dos preconceitos durante a vida adulta e, consequentemente, uma abertura no mercado de trabalho. Além disso, é importante que a mídia, juntamente com o Ministério da Saúde, exponha tudo o que é conhecido sobre a síndrome, promovendo a conscientização para o diagnóstico precoce pelos canais abertos, rádios e outdoors, a fim de normalizar e diminuir os impactos causados pela sociedade sobre essas pessoas. Desse modo, a inclusão dos brasileiros autistas na sociedade ocorre gradualmente.