Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

A obra “O Grito”, de Edvard Munch, retrata um misto de emoções humanas, análogo ao sofrimento desenfreado, angústia e desespero pessoal: resultando no grito da personagem central. Longe da obra artística, na realidade, as pessoas com autismo são estigmatizadas na sociedade brasileira e associadas ao grito. Dessa forma, para acabar com os desafios de inclusão social dos autistas, é preciso acabar tanto com o preconceito quanto a falta de interação social.

Em primeira análise, vale ressaltar o preconceito como um desafio de inclusão dos autistas em sociedade. Nessa perspectiva, o historiador Leandro Karnal, em sua obra “Todos contra Todos”, relata o ódio sofrido por diversos brasileiros diariamente - como o preconceito referente aos autistas. Isso ocorre devido a, principalmente, duas situações, a falta de informação e os tratamentos precários de pessoas que sofrem com essa doença. Além disso, a falta de conecimento deve-se ao fato de existirem pessoas que não estão dispostas a conhecer mais a fundo essa doença, tornando, assim, um desafio de inclusão. Portanto, é preciso acabar com o “ódio nosso de cada dia”, e contradizer Karnal, pois as pessoas não estarão mais umas contra as outras.

Paralelamente a isso, é válido determinar a falta de interação social como promotor da exclusão dos autistas na sociedade. Nesse aspecto, Guy Debord, em sua teoria “Sociedade do Espetáculo”, explica que tudo é regido e vigiado pelas redes, as quais se mostram cruéis, apresentando uma sociedade perfeita. Consoante ao pensamento de Debord, a rede social cria uma distância dos sentimentos reais, uma vez que tudo é mostrado da melhor forma possível, deixando os autistas em sugundo plano, rotulados como doentes e sem capacidade de serem incluídos em sociedade. Logo, é preciso acabar com os rótulos, para desespetacularizar a sociedade dos padrões existentes.

Dessarte, a sociedade brasileira deve parar de excluir os autistas, deixando para trás o preconceito e interagindo mais socialmente. Para isso, a sociedade deve receber melhor os autistas em sociedade, por meio de uma convivência saudável - já que respeito é dever de todos -, para que a obra de Leandro Karnal fique apenas na teoria, acabando com o desafio de inclusão social dos autistas. Ademais, as redes devem mostrar mais a realidade, tirando do padrão a vida perfeita dos moldes sociais, para que o grito não seja mais uma emoção e realidade social.