Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

A vigésima quinta temporada da série Malhação: Viva a Diferença demonstrou, dentre outros assuntos, as dificuldades enfrentadas pela personagem Benê, que é do espectro autista. Em acordo com a realidade fictícia da telenovela, a sociedade brasileira atual, através da descriminação e exclusão nos ambientes escolares e da invisibilidade em políticas públicas, dificulta demasiadamente a inclusão de pessoas autistas no âmbito social. Esses desafios, para serem superados, precisam ser discutidos.

A questão da exclusão no ambiente escolar se dá principalmente pela recusa da matrícula pela própia instituição de ensino. Um exemplo sendo em 2019, quando uma audiência foi realizada em Minas Gerais sobre uma denúncia de pais de alunos sobre a rejeição da matrícula de seus filhos autistas. E enquanto uma grande parte desta exclusão é baseada em concepções capacitistas integradas na sociedade, também se dá pela falta de preparo dos proficionais de ensino para lidar com alunos autistas.

Outro desafio é a invisibilidade das pessoas autistas em  projetos de políticas públicas e em censos. Apenas após a lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em 2020 que perguntas sobre autismo foram adicionadas pelo IBGE no censo populacional. Antes disso, o país se baseava em dados estrangeiros e estimativos. Esses dados, por serem inconsistentes, dificultavam a visibilização desta parcela da população na criação de políticas públicas, como auxílios, e acesso à saúde especializada.

Observando-se os fatos apresentados, se faz claro que medidas devem ser tomadas para que a integração de pessoas autistas seja facilitada. Isto pode ser feito pelo apoio de associações especializadas, e com a valorização das vozes das pessoas autistas. Estas podem, por sua vez contribuir para a consientização da população, e consequentemente contribuir com leis de inclusão mais eficazes.