Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

No livro “O alienista”, de Machado de Assim, é apresentada a história de Simão Bacamarte, um psiquiátra cujos métodos extremos e cômicos levam à enclausuração em massa, no seu hospício, de todos aqueles que ele considera loucos, ou simplesmente diferentes. Analogamente à ficção, a sociedade brasileira hodierna persiste em manter preconceitos acerca daquilo que não compreende, como é o caso dos portadores de autismo, ainda vítimas de hostilidade. Dessa forma, os fatores que comprometem a igualdade de oportunidades entre autistas e demais pessoas são a ineficiência governamental no quesito da inclusão e a incompreensão do senso comum.

Primeiramente, a ausência de medidas estatais eficientes para que autistas sejam concretamente incluidos na sociedade nacional é um fator de extrema importância. Tendo isso em vista, o filósofo francês Rosseau  argumenta que a genuína democracia deve ter o poder à disposição de todos os cidadãos, de modo que a autoridade se justifique a partir da vontade popular. Diante disso, a desigualdade entre os portadores de autismo e demais pessoas nas esferas públicas demonstra a incapacidade governamental de garantir acesso homogênio de todos os brasileiros à cidadania. Consequentemente, são necessárias medidas que garantam a plena realização dos direitos previstos na constituição de 1988, de modo a esses indivíduos gozarem das mesmas condições das demais,

Em segunda análise, a mentalidade simplista e preconceituosa do senso comum acerca da temática é um obstáculos tão importante quanto a necessidade de atitudes governamentais. Nesse viés, o pensador inglês Francis Bacon defendia o poder do método científico como caminho para o progresso,o que é evidenciado a partir da sua icônica frase: “conhecimento é poder”. Consequentemente, o papel da educação é crucial, uma vez que a conscientização é o melhor dos meios para elucidar o desconhecimento popular sobre o autismo e o comportamento dos portadores de tal condição. Desse modo, urgem medidas que atuem nessa esfera, de modo a combater a ignorância e seus efeitos colaterais na sociedade brasileira.

Finalmente, percebe-se que a inércia da sociedade acerca da temática é prejudical ao Brasil como estado democrático de direito. Cabe, portanto, ao governo federal, na figura do Ministério Público, garantir a devida inserção dos autistas em todos os espaços públicos, além de prepará-los para a educação formal e mercado de trabalho. Também cabem às mídias em geral propagar a imagem dos portadores de autismo de forma positiva, em campanhas identitárias; e ao Ministério da Educação, preparar todos os professores acerca das necessidades dessa população. Assim, com empatia e dedicação, a constituição será devidamente exercida para o bem de todos os brasileiros