Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Na série “Atypical”, é retratado a história de Sam, um adolescente de 18 anos diagnosticado dentro do espectro autista. Nessa conjuntura, o enredo foca nas limitações de sua inclusão seja no ambiente escolar, seja no de trabalho, pois, mesmo sabendo que Sam tem autismo, isso não é suficiente para que ele seja aceito. Com isso, é possível analisar que, assim como no seriado, tanto o modelo educacional deficitário, como o descaso governamental são os obstáculos para a inserção de pessoas com esse transtorno social.

Diante dessa óptica, faz-se necessário ressaltar que a inobservância do Estado impossibilita a inserção dos jovens com deficiência na sociedade. Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos nascem iguais em dignidade e em direitos. Conquanto, tal garantia não é efetuada, uma vez que a falta de oportunidade no setor laboral, geradas pela negligência governamental, impossibilitam uma adequada inclusão do deficiente, sendo evidenciado na estimativa da revista Época em que cerca de 80% das pessoas com Transtorno do Espectro Autista estão fora do mercado de trabalho. Desse modo, enquanto o poder público não promover a efetiva integração dessa parcela, o princípio de dignidade humana será apenas um privilégio das camadas com maior visibilidade.

De outro lado, é importante salientar que o precário sistema de ensino também potencializa a exclusão social. Conforme o educador e filósofo Paulo Freire, “A educação muda as pessoas e estas transformam o mundo”. Entretanto, o modelo pedagógico priva a função libertadora do ensino, introduzindo a participação nas aulas como base para o atendimento especializado, porém, além de conteúdos escolares, é necessário que o indivíduo se torne independente, capaz de desenvolver as atividades desauxilidado, gerando maior autonomia na aprendizagem. Dessa forma, é necessário que seja incluída a cultura de autoaprendizagem nos recursos pedagógicos para a plena apredizagem dos alunos, considerando suas dificuldades específicas.

É possível afirmar, diante do exposto, que medidas são necessárias para assegurar a dignidade à todos. Para tanto, cabe ao Poder Executivo garantir a plena participação de pessoas com autismo no Brasil, através da elaboração de um projeto de lei que gere benefício fiscais e isenções tributárias para as empresas que possuem mais de 10% dos funcionários com alguma deficiência (PcD). Assim, proporcionar uma efetiva inserção de pessoas com essa especialidade, além de consolidar a função libertadora do ensino.