Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Em diversos setores da sociedade, a questão do Transtorno do Espectro Autista, assim como outros tipos de transtornos psicológicos, tem recebido maior visibilidade nos últimos anos. Como exemplos disso, é possível citar a instituição do dia 2 de Abril como Dia Mundial de Conscientização do Autismo pela ONU, a Lei nº 12.464 de 27 de Dezembro de 2012, ou mesmo representação midiática, como no seriado de televisão “Atypical” lançado pela companhia Netflix. Entretanto, mesmo com a disseminação de informações e conscientização sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista), as pessoas autistas ainda encontram barreiras no caminho de sua total inclusão social, que precisam ser derrubadas visando uma sociedade mais justa e igualitária.
Tais barreiras podem ser observadas manifestando-se muito cedo na vida de portadores do TEA, principalmente com relação a tratamento prévio do transtorno e aceitação desses indivíduos em instituições de ensino. Uma vez que mesmo nos dias de hoje o diagnóstico de autismo é impreciso, e nem mesmo exames genéticos são capazes de precisamente confirmar a incidência da síndrome, muitas crianças não recebem o tratamento de que precisam nos estágios iniciais de desenvolvimento, e os efeitos da falta dessa intervenção podem ser sentidos especialmente a partir dos 8 anos, observando-se as dificuldades de interação social que a criança manifesta, dependendo do grau de autismo que apresenta.
Ademais, pais de crianças que possuem TEA muitas vezes relatam não apenas que instituições de ensino apresentam aversão à matrícula de seus filhos, mas que estas também não retêm preparo para fomentar o desenvolvimento intelectual, cultural e pessoal adequado da criança autista. Quando feito de maneira correta, o ensino do portador de TEA primeiramente preocupa-se com a existência, ou não, de tratamento prévio do transtorno no histórico da criança, para que ela possa iniciá-lo caso seja necessário, e dessa forma estar devidamente preparada para as interações características do ambiente escolar.
Tendo isso em vista, é possível concluir que a inclusão das pessoas autistas na sociedade deve ocorrer nos estágios iniciais do desenvolvimento dos cidadãos, não apenas para que os indivíduos autistas possam integrar-se propriamente, mas também para que as pessoas ao seu redor entendam suas circunstâncias, e aprendam a aceitá-las durante seu próprio desenvolvimento. Para que isso ocorra, mais legislações devem ser aprovadas por parte do Governo para que haja o requerimento de que escolas preparem-se para acomodar alunos autistas, preocupando-se com seus históricos prévios, ensino eficiente e moldado às suas necessidades educacionais, e orientação para seus colegas.