Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão e a rocha retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos indivíduos com autismo pela inclusão social. Nesse viés, cabe destacar a ausência da garantia de direitos educacionais, assim como, o preconceito da sociedade, que faz com que o grupo torne-se cada vez mais vulnerável socialmente.

A princípio, é válido ressaltar a importância das vivencias escolares para qualquer indivíduo que busca inserir-se socialmente. Sendo assim, a Constituição Federal de 1988, garante, por meio do artigo 205, o direito à educação de todos, tornando-se dever do Estado e da família, com a intenção de promover e incentivar o desenvolvimento pessoal do indivíduo para o exercício da cidadania e a qualificação do trabalho. Nesse contexto, tendo em vista as especificidades dos portadores do transtorno do espectro autista (TEA) é necessária a adaptabilidade das escolas regulares para uma melhor experiência, garantindo a disponibilidade de um acompanhante especializado, assim como, o auxílio dos familiares no âmbito domiciliar para o desenvolvimento do aluno.

Outrossim, torna-se importante citar a persistência da estigmatização de pessoas com autismo na sociedade atual. Do ponto de vista do sociológo Émile Durkheim, a perspectiva de inclusão social remete-se à educação e o poder de integrar harmoniosamente o ser na população, evitando isolamentos e conflitos. Diante disso, é notória a importância da educação na sociedade atual para o combate à preconceitos e estigmatizações enraizados socialmente, a partir do momento em que a pessoa constrói vivencias em um meio escolar que abrange à todos, independente de suas diversidades, desenvolve-se um ser tolerante quanto às diferenças de cada um, da mesma maneira que é imprescíndivel na formação intelectual do ser.

Com base no que foi supracitado, torna-se pertinente a busca por medidas para solucionar essa problemática. Assim, cabe ao Estado em parceria com o Ministério da Educação garantir, por meio do aumento de fiscalização nas escolas regulares,  a inserção do grupo de pessoas que possuem TEA, com o acompanhamento de um profissional qualificado, para que ocorra o pleno funcionamento dos direitos garantidos na Carta Magna, do mesmo modo que possibilite a inclusão social desse grupo minoritário. Destarte, Sísifo irá conseguir atingir o rochedo e vencer a exaustão, assim como, as pessoas com autismo irão estar incluídas socialmente.