Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
O descaso com o excepcional
A série “Atypical” narra a história de Sam, um jovem americano que apresenta traços de autismo no ensino médio. Os episódios demonstram as dificuldades advindas do preconceito no âmbito estudantil, que levam o jovem a isolar-se e desejar ser “normal” como os alunos afirmavam. Apesar de ser uma produção fictícia, diversos jovens com o espectro autista apresentam dificuldades para participar do âmbito estudantil e, muitas vezes, são negligenciados de tal direito. Assim, cabe analisar quais aspectos influenciam tal problemática.
Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar que, a ignorância social fomenta o preconceito e exclusão nas entidades escolares. Ao passo que muitas instituições não se posiciam em relação ao bullying contra crianças com o espectro autista, comportamentos discriminatórios se tornam permanentes e isolam cada vez mais o menor de idade com o transtorno, que já possui dificuldade em compreender elementos comunicativos subjetivos. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. Entretanto, diversas escolas não aceitam crianças com o transtorno ou não possuem estrutura para acolher tais indivíduos.
Em segundo lugar, ressalta-se que há, nas escolas brasileiras, falta de políticas que visem o bem-estar do jovem autista. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é produto da educação que recebe. Conquanto, em uma realidade excludente, que não questiona os modelos educacionais vigentes, torna-se um desafio a criação de um ambiente favorável à todos.
Assim, ainda há entraves para a integração de crianças nas escolas do Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, realizar projetos e programas que busquem integrar o indivíduo com autismo nas escolas, por meio das redes sociais e campanhas em colégios públicos. Espera-se, assim, que cada vez mais crianças possam se sentir pertencentes a sociedade e possam exercer a cidadania na vida adulta, quebrando o ideal preconceituoso que reduz indivíduos autistas à sua condição.