Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/06/2021

“The Good Doctor”, uma série televisiva estadunidense, é protagonizada por um jovem médico autista que inicia o trabalho em um grande e respeitado hospital, onde ele enfrenta os problemas de lidar com o ceticismo de seus colegas. Embora seja uma obra ficcional, o Brasil ainda apresenta desafios para incluir socialmente esses indivíduos com autismo nos diferentes ambientes, como, a escola. Dessa forma, torna-se necessário a compreensão desse preconceito relacionado à síndrome, bem como, a falta de capacitação das escolas no aprendizado desses indivíduos.

Sob esse viés, é imperioso destacar a falta de conhecimento da sociedade sobre o autismo é o principal estigmatizador de tal problema. Contudo, esse fato tem raízes históricas, visto que, durante a Idade Média, as pessoas portadoras de transtornos mentais eram consideradas endemoniadas e algumas delas eram queimadas vivas na fogueira. Nesse sentido, esses indivíduos são estereotipados como incapazes de relacionar-se socialmente com outras pessoas, ou até, serem incompetentes no exercício de alguma função no trabalho, como foi visto na série supracitada. Assim, é importante a divulgação de informações sobre a síndrome nos meios midiáticos.

Por conseguinte, a negligência estatal e das instituições de ensino na qualificação dos profissionais, que lidam com esses cidadãos no âmbito escolar é outro fator que impulsa a exclusão. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, essas instituições sociais são necessárias para fomentar socialização, atuando como formadores sociais. Nessa lógica, embora exista a lei Berenice Piana, que garante o direito da pessoa com autismo ao acesso à educação, a inclusão dentro da sala de aula não ocorre de fato, pois não existem assistências devidas a esse tipo de aluno e formas eficazes que atestem o aprendizados deles. Devido a isso, essas pessoas merecem ir além da presença em aula.

Portanto, é importante a criação de medidas que visem amenizar os problemas citados. O Ministério da Educação, juntamente com as Universidades, deve criar, por meio de incentivos financeiros, pesquisas voltadas para o desenvolvimento intelectual desses autistas dentro das instituições de ensino. No qual, será testado diferentes metodologias ativas de aprendizado, além disso, a criação de formas para potencializar a socialização desses cidadãos nesses ambientes. Enfim, espera-se com essas intervenções, frear a exclusão social desses autistas no Brasil.