Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 04/07/2021
A Agenda ONU (Organização das Nações Unidas) 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia da diversidade social. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto são os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nesse sentido, o problema deriva não só da negligência estatal na falta de informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas também do preconceito com esses cidadãos.
Sob esse viés, é fundamental pontuar que o descaso do governo na promoção de conhecimento a respeito do autismo é um empecilho. Nessa perspectiva, de acordo com Bauman, na obra “Modernidade líquida”, o Estado perdeu seu papel social e configura-se como “Instituição Zumbi”, ao manter a sua forma e encarregar a população da resolução de seus problemas. No entanto, uma consequência direta de tal característica é a ausência de acessibilidades dos cidadãos com TEA a locais e estabelecimentos, dado que, muitas vezes, a sociedade desconhece sobre o autismo e não confere ambientes inclusivos para essa parcela da população. Dessa forma, é notório que a ineficácia estatal em promover o conhecimento tanto auxilia na manutenção da ignorância, como na privação de acesso aos portadores do transtorno.
Além disso, é imperativo ressaltar que o preconceito com os autistas é um problema. Nessa ótica, de acordo com Hannah Arendt, na obra “Banalidade do mal”, compreende-se como o pior mal aquele que está naturalizado no cotidiano, como o estigma aos portadores de TEA. Evidentemente, um fato decorrente de tal exemplificação é a criação de estereótipos que não condizem com a realidade e, consequentemente, dificulta a escolarização e empregabilidade dessa parcela de cidadãos, por exemplo. Logo, é evidente que o preconceito presente na sociedade atual que, grande parte das vezes, já se tornou banal, contribui para segregação social de pessoas com autismo na escola e no trabalho.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas de modo a amenizar as dificuldades de inclusão da população com autismo no Brasil. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado, na condição de garantidor dos direitos sociais e individuais, gere propostas que visem combater a falta de informações sobre o TEA e também o preconceito com esses cidadãos. Isso será feito mediante a destinação de verbas governamentais para a criação de campanhas de conscientização em massa, nas redes sociais, com o objetivo de promover conhecimento sobre o transtorno para a sociedade. Somente assim, chegar-se-á à realidade proposta pela ONU para 2030 e, consequentemente, construir-se-á um Brasil melhor.