Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/06/2021

A música “Até Quando”, de Gabriel, o Pensador, elenca como principal crítica a comodidade do brasileiro frente aos problemas sociais. Infelizmente, essa situação serve de símbolo para o conformismo social diante os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, uma vez que é a passividade dos indivíduos que dá continuidade à problemática no país. Dessa maneira, a negligência governamental, bem como a falta de debates, faz com que esta situação negativa persista.

Sob essa perspectiva, a omissão estatal é uma causa evidente da questão. Nesse contexto, Aristóteles, célebre pensador, disse, em seu livro ´´Ética a nicômano``, que o objetivo principal da política é garantir a felicidade dos cidadãos. Lamentavelmente, o Estado brasileiro atual contraria a ideia do filósofo, cada vez que são negligenciadas às medidas de inclusão e ações de atendimento à pessoa autista, além de não haver comprometimento das políticas públicas para solucionar o problema. Logo, evidencia-se um cenário de descaso às garantias constitucionais.

Além disso, é necessário evidenciar que o silenciamento contribui para a existência do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Em síntese, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a presença do autismo no meio social e às necessidades de saúde da pessoa com o transtorno do espectro autista necessita, o que favorece a falta de conhecimento da sociedade sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.

É inaceitável, portanto, que a inclusão de pessoas com autismo seja um impasse no território brasileiro. Cabe ao Ministério da Cidadania, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, criar uma campanha de conscientização sobre a necessidade e importância da inclusão de pessoas com autismo na sociedade, visando mitigar os preconceitos voltados contra essas pessoas no país. Nele, deve constar que a campanha vai acontecer em espaços públicos e escolas, com palestras mensais sobre o autismo e o preconceito existente no meio social, além de debater o tema nas redes socias do ministério. Desse modo, a comodidade representada na canção não será realidade no Brasil.