Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 22/07/2021
Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os obstáculos. Fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade brasileira hodierna, percebe-se o oposto dos ideais de Platão, visto que muitos indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos sofrem de exclusão social por serem taxados de anormais, dessa forma, os desafios para inclusão de pessoas com autismo no Brasil são frutos tanto da desinformação e do preconceito enraizado, como da falta de qualificação adequada dos profissionais da educação.
Em primeira análise, é imperioso analisar a ausência de informações acerca do autismo como um dos problemas para inclusão dessas pessoas na sociedade. A falta de conhecimento lava ao preconceito e à discriminação, que já é enraizada no Brasil desde o século XIX, época em que pessoas com transtornos mentais eram taxadas como loucos e internados em hospícios, onde sofriam abusos e violências sem precedentes; exemplo disso foi no manicômio Colônia que foi o lugar da morte de mais de 60 mil internos. Portanto, é preciso criar mecanismos que objetivem a informação do corpo social, para assim, possibilitar a inclusão desses cidadãos.
Outrossim, é crucial explorar o efeito da falta de qualificação adequada dos profissionais da educação para lidarem com o ensino e socialização das crianças autistas. De acordo com Aristóteles, a vida em sociedade é fundamental para sua realização pessoal e busca pela felicidade. Diante desse pressuposto, percebe-se que a partir de uma educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento dessas pessoas, é possível minimizar os efeitos da doença, desenvolvê-los e torná-los adultos sociáveis e inseridos na comunidade.
Infere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos Desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Assim, o Ministério da educação- órgão governamental responsável pela elaboração da Política Nacional de Educação (PNE)- deve proporcionar, mediante verbas governamentais, mecanismos de qualificação dos profissionais da educação, com palestras e orientações como proceder com alunos com esse tipo de transtorno, para que assim eles possam conviver em sociedade. Além disso, deve promover campanhas para informar a população cada vez mais sobre essa doença. Isso pode ser feito por meio de profissionais da área de saúde e através da família, afim de que haja uma a diminuição do preconceito existente e incluí-los no âmbito social. Com essa ação, a sociedade brasileira poderá chegar perto das convicções platônicas e, além disso, alcançar o bem-estar social.