Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/07/2021

Na dramaturgia, autistas são frequentemente retratadas como gênios incompreendidos, como o visto na série “The Good Doctor”. Porém, a ideia do autismo ser uma condição que se caracteriza exclusivamente pela inteligência e pouca ou nenhuma habilidade social é um equívoco comum e nocivo. Isso pois, esse transtorno possui espectros amplos, com intensidades e características diferentes, o que contraria o senso comum sobre o tema e também dificulta a busca por tratamento, o qual é problemático por ser deficitário no setor público. Desse modo, enfrentar a inclusão de pessoas autistas no Brasil como um desafio a ser superado é uma necessidade de saúde e social.

Nesse contexto, conhecer o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é imprescindível para integrar as pessoas afetadas por essa condição na sociedade. Visto que, a medicina ampliou os diagnósticos possíveis dessa condição, os quais vão além da Síndrome de Asperger, própria do protagonista da série citada, como os transtornos “desintegrativo”, “invasivo” e autista clássico, todos com singularidades que precisam de tratamento ainda na infância. Dessa forma, falta de conhecimento dos tutores e também a ausência de acompanhamento médico, seja por ignorância, seja por falta de recursos, pode retirar do autista, nos casos graves, o potencial de uma vida adulta independente. Por isso a importância de trazer conhecimento para a população além do senso comum.

De fato, informar o cidadão é primordial, porém, expandir as políticas públicas no Brasil é uma obrigação do Estado. Uma vez que, mesmo com o reconhecimento governamental do autismo como uma deficiência em 2016, os avanços em oferecer tratamentos públicos e gratuitos são tímidos e pouco abrangentes. Isso pode ser visto com a falta de um plano nacional de saúde realista, pois as próprias estruturas, como o Centro de Apoio Psicossocial (CAPS), que deveriam atender o paciente e aconselhar as famílias não têm como lidar com a demanda existente, já que apenas nas grandes capitais existem centros de referência com protocolos específicos para isso, a exemplo do CREAPP em São Paulo. O que, dessa forma, exibe a a triste desigualdade do acesso à saúde em todo o país.

Diante desse contexto, é preciso que exista projetos nacionais para incluir a população autista na sociedade brasileira. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve promover campanhas nacionais - que informe sobre sintomas e cuidados referente ao autismo - via meios de comunicação para que esse conhecimento seja comum entre os cidadãos. Somado a isso, o Estado deve reformular as diretrizes de atendimento dos CAPS por meio de reuniões multiprofissionais, psicólogos, pedagogos e psiquiatras, com o intuito de oferecer acompanhamento aos autistas e suas famílias que seja digno dos brasileiros.