Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil representam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de políticas públicas eficazes, quanto do individualismo, fatores que favorecem esse quadro deletério.

Seguindo esse contexto, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais que visem à acessibilidade dos autistas no Brasil. Nesse sentido, o Estado, ao não fomentar pesquisas na área da saúde e não efetivar políticas de saúde pública para o tratamento e o diagnóstico do autismo, impossibilita melhorias na qualidade de vida, com o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes a 2 milhões de pessoas, já que esse é o número de brasileiros acometidos por essa doença psíquica, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever de assegurar que todos os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que, infelizmente, é notório no país.

Ademais, é fundamental apontar o individualismo como fator favorecedor desse quadro deletério. Nesse sentido, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, evidencia em sua obra “Modernidade Líquida” a forte presença do individualismo na sociedade pós-moderna, o que gera a falta de empatia. Dessa forma, a falta de empatia em questão tem afetado a inclusão dos autistas na sociedade, pois, muitas vezes, essas pessoas são desprezadas em uma entrevista de emprego, ou questionadas, ao ocupar cargos de relevância e demonstrar poder aquisitivo. Logo, é inadmissível que essa realidade ignorante continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse quadro problemático. Para isso, cabe ao Executivo, por meio do capital do TCU (Tribunal de Contas da União), intensificar os investimentos em pesquisas científicas sobre o autismo, a fim de analisar e trazer à realidade formas de facilitar a vida dessas pessoas, com atendimento médico adequado e acesso a quaisquer medicamentos necessários, possibilitando a inclusão social desse grupo. Além disso, cabe ao Legislativo, por meio tipificação do preconceito contra autistas como crime discriminatório, reduzir a incidência desse imbróglio na sociedade, a fim de proporcionar tratamento igualitário a todos os brasileiros. Assim, o pleno desenvolvimento da sociedade é retomado, aproximando-se dos planos de Thomas More.