Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/08/2021
A série “The Good Doctor” tematiza, entre outros assuntos, as consequências da desinformação e do preconceito na tragetória de um médico portador do Transtorno do Espectro Autista. Equitativamente, o obscurantismo no que tange tal condição neurológica, na contemporaneidade brasileira, concatenado à falta de representatividade dessa parcela populacional e a improficiência do Estado desvelam-se como um obstáculo à inclusão de autistas no corpo social brasileiro. Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de resolução do problema.
É importante destacar, incipientemente, que o déficit de informações precisas e contundentes relativas ao autismo intensifica o desconhecimento sobre o transtorno. Isso porque, embora haja um Dia da Conscienticação do Autismo – 2 de abril – a falta de abordagem cotidiana sobre o tema faz com que parcela majoritária da sociedade não conheça, efetivamente, a seriedade da síndrome em questão. Somado a isso, a carência de representatividade, sobretudo em novelas, filmes e séries – os quais atingem um grande público, sendo capazes de difundir informações – fomentam a incompreensão dessa condição neurológica. Por conseguinte, estereótipos e preconceitos são estabelecidos e propagados, o que compromete a integração dessas pessoas na sociedade.
Paralelamente, a ineficiência estatal corrobora a dificuldade de inclusão de pessoas com o espectro autista na sociedade, já que, por exemplo, o Estado não incentiva e nem gera condições necessárias para a socialização de tais nas escolas, bem como não oferta os cuidados necessários para com essas pessoas. Desse modo, ainda que a Lei Berenice Piana pressuponha o tratamento, a disponibilização de informações e o estímulo a inserção de austistas no mercado de trabalho, evidencia-se que a realidade brasileira contradiz a legislação, haja vista a escassez da divulgação de dados, a deficiência de mecanismos de tratamento e a deficiência de medidas inclusivas no mercado de trabalho. Consequentemente, a segregação social dessas pessoas é reforçada.
Portanto, é notório a imprescindibilidade de medidas que favoreçam a inclusão da pessoa autista no tecido social Brasileiro. Por essa razão, faz-se necessário que os veículos midiáticos abordem a temática em suas programações com a disponibilização de informações, por meio de personagens austistas que protagonizem, especialmente, novelas e filmes, com vista a desmistificar o assunto e desconstruir preconceitos. Ademais, é importante que o Ministério da Educação estimule a socialização de tais a partir da oferta de cursos capacitantes a profissionais da educação, nos quais sejam ensinados métodos e cuidados para com essas pessoas e formas de ajudar no convívio entre autistas e não autistas. Objetiva-se, assim, incentivar a convivência e, consequentemente, a inclusão.