Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 15/08/2021
Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, um histórico de dominação do individualismo, ampliado pela expansão da meritocracia, construiu um cenário indiferente às necessidades de pessoas com autismo no Brasil. Desse modo, demonstrando um debate indispensável à coesão democrática.
Primeiramente, cabe destacar o estigma social consequente da progressiva dominação do individualismo na sociedade contemporânea. Segundo Bauman, sociólogo polonês, a modernidade é o período em que a expansão da autonomia do homem ganha destaque em relação à vida em comunidade. Em consequência, observa-se uma falta de empatia refletida na abordagem segregativa em diversos setores da sociedade, salientando a postura relacionada ao grupo autista. Em destaque, o sistema educacional representa um dos espaços com grande destaque na falta de suporte, em que frequentemente há privação de elementos essenciais aos alunos com autismo, como falta de material, metodologia adequada e profissionais preparadas. Logo, esses episódios demonstram uma lógica incoerente aos princípios isonômicos de um país democrático.
Em adição, deve-se considerar o impacto da meritocracia como um elemento constituinte da sociedade brasileira. Monteiro Lobato, no último conto de “Urupês”, por intermédio de seu personagem Jeca Tatu, descreveu a índole do brasileiro como cômoda e conformista. Essa postura, presente até o momento atual, salienta um espaço propício à inércia frente a embates sociais e, paralelamente, ao fortalecimento de um discurso baseado na supremacia do mérito, em que há a defesa do esforço pessoal como o único elemento considerável na busca por conquistas. Assim, concomitantemente, essa mentalidade sustenta a perpetuação da desigualdade frente ao grupo autista sob o pretexto de valorização da dedicação pessoal.
Torna-se evidente, portanto, que os caminhos na luta em busca de uma inclusão efetiva no Brasil apresentam entraves que necessitam ser revertidos. Nesse sentido, o Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução de todo o aparato educacional, deve executar um projeto de reforma dentro das escolas, de modo a implementar medidas de inclusão ao grupo autista, além de promover a compreensão dessa questão a todos os estudantes. Para tal, deve-se utilizar do apoio uma teia de profissionais, como psicólogos, suporte médico e introdução de um grupo docente especializado, a fim de promover uma mentalidade inclusiva que, ao combater lógicas restritivas, reforce os princípios democráticos.