Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 18/08/2021
A série “The Good Doctor” retrata a vida de um cirurgião com autismo que enfrenta o preconceito e os obstáculos de conviver com sua síndrome. Sob esse viés, observa-se como o conhecimento e a devida inclusão desses indíviduos é extremamente necessária, para que assim, como qualquer um, eles tenham uma vida completa. Entretanto, na realidade brasileira, ainda há inúmeros desafios em volta da integração dos autistas na sociedade, como a falta de conhecimento e os diagnósticos tardios.
Diante desse contexto, é indubitável que a falta de informações sobre o autismo é um obstáculo para a inclusão dessas pessoas no Brasil. Nesse sentido, conforme Sir Arthur Lewis, a educação nunca foi despesa, e sim investimento com retorno garantido. Logo, salienta-se que, o transtorno do espectro autista é um conjunto de síndromes que precisam da atenção e do cuidado de familiares, médicos, psicólogos, etc. Sendo assim, nesse caso o maior retorno do conhecimento é a integração e o zelo com essas pessoas, principalmente pela deficiência de habilidades sociais. No entanto, na situação atual brasileira, esse retorno não é assegurado, pela falta de verbas para pesquisas, acompanhamento de casos, preparação de profissionais nas escolas particulares e públicas, além da falta de gerenciamento no setor público para atender os cidadãos que mais precisam.
Aliado a essa questão, o diagnóstico tardio de pessoas com transtorno do espectro autista, principalmente meninas, é um desafio à inclusão desses pacientes. Então, de acordo com estudo realizado pela BBC, existe um subdiagnóstico do autismo, especialmente entre as mulheres, na qual muitas só descobriram na vida adulta. Isso se deve ao principal sinal do transtorno ser a dificuldade na fala e com as habilidades sociais, o que meninas naturalmente são mais desenvolvidas. Nessa análise, é preciso ressaltar a importância da dedicação aos infantes pelos pais, professores e todos no entorno, para que não ocorra negligência no diagnóstico e assim, a inclusão e tratamento desses indivíduos seja pleno. Porém, no Brasil observa-se um despreparo muito grande dos familiares e profissionais da educação, que estão em contato diário com essas crianças e adolescentes, mas muitas vezes por falta de instrução ou desatenção não percebem os sinais. Diante disso, é urgente a mudança de cenário.
Urge, portanto, que sociedade e estado juntos enfrentem os desafios para inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Assim, cabe ao governo federal oferecer verbas aos intitutos de pesquisa do transtorno autista, por meio de parcerias com empresas privadas para disponibilizar mais investimentos, a fim de que os indivíduos com esses transtornos usufram de uma vida mais socializada. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde ofertar cursos gratuitos para familiares e quem mais queira se informar sobre o autismo. Somente assim, a realidade dos autistas será diferente da ficção.