Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 23/08/2021

Nas Civilizações da Antiguidade, crianças com deficiências eram assassinadas, como um retrato da eugenia, isto é, a superioridade e a seleção de certo padrão e dizimação dos demais. Essa mentalidade discriminatória, apesar de ilegal, ainda subsiste implicitamente em inúmeras relações sociais, como no caso do autismo, o qual ainda é pouco conhecido. Assim, a integração desses indivíduos é prejudicada pela ignorância da sociedade à respeito do espectro e pela educação capacitista. Entretanto, é fundamental retirar esses paradigmas e incluir essa parcela da população.

Nesse contexto, é visível a falta de conhecimento da massa sobre o espectro autista, suas limitações e suas potências, assim como no seriado “Atypical”, em que o protagonista possui a Síndrome de Asperger, ou seja, um grau mais leve de autismo, que apesar de algumas restrições comunicativas, consegue se locomover, raciocinar e, com o tempo, se comunicar. Assim, embora seu grau seja mais leve, o protagonista sofre com a ignorância de muitos que não compreendem sua visão. Ao mesmo tempo, é beneficiado por pessoas próximas que procuram estudar e se informar sobre o tema para ajudá-lo a estar mais integrado na sociedade. Da mesma forma, a população deve buscar informação para saber lidar e auxiliar da melhor maneira possível nesse processo de inclusão.

Além disso, a fase de descoberta do autismo geralmente se dá na infância, durante a alfabetização, com o auxílio de educadores que percebem suas diferenças. Contudo, pela falta de formação promovida aos professores nesse aspecto, a educação é direcionada aos deficientes de modo capacitista, visto que os subestimam e não dão autonomia de aprendizagem e desenvolvimento, pois, muitas vezes, não sabem como auxiliar nas dificuldades do aluno e potencializar suas qualidades. Nesse sentido, é possível relacionar esse fato à referência do sociólogo Pierre Bordieu, o qual infere que, nesses casos, há uma violência simbólica no processo educacional, posto que ocorre discriminação do estudante por minimizá-lo e não compreender como guiá-lo e inserí-lo.

A inserção dos autistas, portanto, é urgente e deve ocorrer por meio do Ministério da Educação, que promoverá o projeto “O espectro autista na sociedade”. Essa medida consistirá em duas ações. A primeira delas é a introdução de formação nas grades curriculares dos educadores sobre como educar indivíduos nessa condição da melhor forma. A segunda, é a obrigatoriedade de falar sobre esse tema nas escolas, mediante palestras e ações extracurriculares com a presença de pais e filhos, a fim de que se informem acerca dessa pauta. Assim sendo, a sociedade brasileira poderá inserir melhor os autistas e os auxiliará a superar seus obstáculos e maximizar suas virtudes, sem eugenia, mas com inclusão.