Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 24/08/2021
Consoante ao filósofo John Locke, pode-se construir uma sociedade melhor e justa para todos por meio da educação, uma vez que por intermédio desse processo, além de aprendizado, as pessoas aprendem valores, como empatia e respeito. Todavia, no Brasil, devido à não implementação desse ensino, há uma carência de inclusão de pessoas com autismo desde a infância. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Educação se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que incluam autistas no convívio social desde a infância. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pelo discurso do vigente ministro da educação, o qual afirma que pessoas diferentes atrapalham o ensino dos outros, seja pelo pouco espaço destinado ao debate sobre o autismo na sociedade. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina estatal cerceia os autistas a uma realidade de segregação socioespacial desde a tenra idade.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram a segregação socioespacial dos autistas desde a infância, o que gerou frutos como o pensamento arcaico e preconceituoso contra contratar pessoas autistas para trabalhar. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, haverá a intolerância contra a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.
Dessarte, fica claro que a inoperância estatal, aliada à ignorância social, é a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Educação deve fazer campanhas de conscientização sobre o que é o autismo e a importância de incluir pessoas autistas na sociedade, por meio de mídias de ampla abrangência, como telejornais em redes nacionais e blogs em redes sociais, para que se possa atingir desde os jovens até os idosos, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia e, consequentemente, atenuar pensamentos arcaicos e preconceituosos, a exemplo do ministro. Espera-se, com isso, que haja mais espaço para se construir respeito e empatia desde a infância junto com os autistas.