Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/09/2021
O poeta pós modernista Manoel de Barros destacou em suas obras o conceito de “teologia do traste”, princípio caracterizado por dar valor a situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo esse ideal barrosiano, torna-se claro a necessidade de se analisar mais profundamente as relações sociais das pessoas autistas. Dessa forma, a fim de amenizar sua exclusão comunitária, é necessário analisar a falta de informação e a carência de sua representatividade midiática.
Em primeira vista, é necessário ressaltar os fatores que são responsáveis pela estruturação da problemática. Dentre essas, destaca-se a insuficiente quantidade de informações contundentes e verdadeiras em relação ao autismo, as quais, muitas vezes são tratadas com descuido e desrespeito. Essa falta de informação é grave, tendo em vista que muitos brasileiros desconhecerão a realidade do autismo, podendo levar ao comprometimento do tratamento adequado. Por outro lado, essa propagação de informações enganosas leva a uma segregação social, uma vez que, cria-se uma ideologia em que se separam os “fortes” dos “fracos”, uma vez que estes não atingem metas estabelecidas pela “população forte”, como maturidade emocional. Dessa forma, a ignorância contribui para o isolamento social, uma problemática que necessita ser atenuada.
Em segunda vista a ausência de representatividade na mídia colabora para o preconceito contra as pessoas autistas no brasil. Nesse sentido, a série norte americana “Atypical” retrata a vida cotidiana de seu protagonista Sam Gardner, um menino autista de dezoito anos, e as dificuldades de se viver com tal transtorno. Essa série é um exemplo de reconhecimento midiático de forma segura e com respeito. Contudo, essa representação válida ainda é escassa no Brasil, isso porque, quando é feita, as personagens são usadas de forma cômica e possuem papéis secundários, os quais são pouco aprofundados. Desse modo, se perpetua, mais uma vez, a falta de informações acerca desse transtorno, agravando os estereótipos contra essas pessoas, aumentando a segregação social.
Portanto, para amenizar a exclusão comunitária das pessoas autista, é necessário que o governo, mais especificamente o Ministério da Educação, eduque as crianças acerca dessa síndrome, por meio da criação de aulas sobre saúde mental. Dessa forma, será possível diminuir o preconceito social brasileiro.