Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/09/2021

A série “Atypical” retrata a busca por independência de Sam e como o autismo impacta a jornada dele. Todavia, assim como na vida de Sam, o Transtorno de Espectro Autista (TEA) é tratado como um estigma no Brasil, o que impede o avanço do país, em especial no que concerne ao conhecimento sobre a questão e ao preconceito enraizado. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

À vista desse cenário, o baixo investimento acerca do autismo acarreta os diagnósticos tardios e imprecisos sobre essa síndrome. Sob esta ótica iminente, a Organização Mundial da Saúde, em 1993, incluiu o autismo na Classificação Internacional de Doenças. Nessa lógica, com o avanço da década de 90, o autismo não é mais considerado uma doença, e deve ser tratado como um transtorno com diferentes formas de se expressar, que devem ser estudadas, para que, além de uma identificação precoce, o indivíduo tenha acesso a tratamentos e atendimentos que garantam seu progresso e sua participação de forma ativa na sociedade. Dessarte, é medular investir no estudo sobre a TEA no país.

Outrossim, visão nacional distorcida sobre o autismo motiva a exclusão dessas pessoas da comunidade. Consoante é isso, o filósofo russo Mikhail Bakhtin retrata, em sua obra “Carnavalização da sociedade”, como o riso é usado para desconstruir a identidade de um grupo. De maneira análoga, a ridicularização do comportamento autista, como denunciado por Bakhtin, incentiva o preconceito social e a estereotipização do autista, que é tratado como incapacitado e é impedido de atuar de forma efetiva no meio social. Dessarte, revela-se a imprescindibilidade de desconstruir o estereótipo de autismo no Brasil.

Portanto, com o fito de desmistificar o autismo no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve investir no entendimento do comportamento autista, por intermediário de projetos nos centros acadêmicos. Seriam organizadas, além de palestras públicas sobre identificação e comportamento do autista, pesquisas para melhorar o diagnóstico e experiência das pessoas com TEA. Assim, mais pessoas autistas como Sam podem obter desenvolvimento pessoal da melhor forma possível.