Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/09/2021

Em 2008, a implementação do Dia Mundial de Conscientização do Autismo representou uma conquista significante para o grupo de pessoas afetadas por essa síndrome. Entretanto, mesmo que esse evento seja interpretado como uma evolução de perspectiva, o Brasil ainda enfrenta desafios para incluir esses indivíduos. Dentre os empecilhos mencionados, tem-se não só o efeito da falta de apoio parental, mas também o desacolhimento dessa parcela no espaço educativo.

A partir disso, cabe a análise do papel que a ignorância da família desempenha. Nessa perspectiva, durante a série “Atypical”, distribuída pela plataforma Netflix, a vida de Sam como pessoa autista é retratada ao mostrar tanto a maneira como ele vive com esse diagnóstico, quanto a função atribuída a seus parentes. Apesar de Sam ter o suporte de seus genitores, fator vital no desenvolvimento social, essa não é a realidade de diversas crianças e adultos brasileiros, os quais enfrentam falta de aceitação, recusa na procura de assistência profissional e ocultação da situação médica por parte dos pais. Dessa forma, a ausência do auxílio daqueles que deveriam ser a base da rede de apoio contribui para a formação de estigmas pessoais, visto que o indivíduo autista assume que sua condição não é digna de visibilidade e, consequentemente, não irá em busca de seu lugar no contexto coletivo.

Outrossim, é válido destacar que a inépcia na recepção desses cidadãos ocasiona um meio escolar isolado, o qual também é elemento influente da problemática. Nesse sentido, o jornal G1 comunicou casos de negação de escolas em matricular alunos autistas, embora esse direito seja assegurado por medidas legislativas. Enquanto reproduzem preceitos excludentes, prejudiciais ao convívio dos afetados, esses episódios são suscetíveis à multa e demonstram que ainda existe um desconsentimento ao tratar da inclusão de pessoas do espectro autista nas esferas acadêmicas. Assim, entende-se que essa rejeição propicia um espaço segregado, o qual desencoraja esses brasileiros a procurar acompanhamento educativo.

Portanto, é dever dos psicólogos do posto de saúde da família, profissionais da área responsáveis pelo acolhimento e diagnóstico de seres com autismo, explicitar de forma cabível a importância do reconhecimento dessa identificação por parte parental, por meio de consultas periódicas e específicas, com o objetivo de incentivar a admissão familiar. Ademais, é preciso que o Estado, instituição máxima de poder, por intermédio de cursos habilitantes destinados a gestores escolares, promova a aceitação adequada de alunos autistas nas escolas, a fim de tornar o ambiente educativo mais receptivo para esse grupo. Logo, será possível almejar o fim dos obstáculos da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.