Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/10/2021

Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as peculiaridades da sociedade brasileira. Dentre elas destaca-se “a difícil e tortuosa construção da cidadania”. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciado no âmbito da inclusão de pessoas com autismo, tendo em vista que, apesar de haver legislações que assegurem a socialização, ainda sim há despreparo nas diferentes esferas sociais, aliado ao preconceito gerado pela desinformação sobre o assunto. Dessa forma, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.

Primeiramente, é importante destacar que, os diferentes espaços foram pensados e projetados para indivíduos considerados “normais” e, além disso, os trabalhadores desses espaços foram formados e treinados para prestar suporte para pessoas sem necessidades especiais, ou seja, excluindo também os autistas. A partir dessa análise, infere-se que os direitos básicos do cidadão não são aplicados para os autistas, o que revela contradição em nossa socidade, pois a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos - conforme evidenciado pelo geográfo Milton Santos, no texto “Cidadanias Multiladas”.

Ademais, apesar do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ser um distúrbio muito comum na contemporaneidade, percebe-se o desconhecimento pleno da sociedade a respeito da condição. Nesse contexto, surge o conceito de capacitismo, a ideia de que as pessoas com deficiências físicas ou mentais, são incapazes, o que dificulta a inserção nos diferentes espaços sociais. A base do pensamento capacitista é de que há um padrão corporal – inclusive neurológico – ideal. Desta forma, quem não pode se enquadrar neste padrão não está habilitado para participar plenamente das atividades sociais. Evidencia-se, assim, a importância da conscientização da sociedade sobre o autismo.

Portanto, vistos os desafios para inclusão de pessoas com autismo, é necessário medidas para combatê-las. Diante disso, o Ministério dos Direitos Humanos, órgão responsável pela defesa dos direitos humanos, precisa propor mudanças no conteúdo programático das profissões por meio de exposições da realidade de indivíduos com autismo na sociedade, objetivando o preparo dos indivíduos para lidar com pessoas portadoras desse transtorno. Além disso, garantir conscientização por meio das mídias sociais. Mediante a essas ações concretas, portadores do autismo poderão usufruir dos direitos de todo e qualquer cidadão brasileiro.