Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/10/2021
´´O dilema do porco-espinho´´ é uma obra do filósofo Leandro Karnal, criada com intuito de metaforizar a convivência entre os animais do título com as relações humanas. Para isso, Leandro Karnal descreve o hábito dos porcos-espinhos, que na tentativa de se aglomerarem para sanar o frio, tendem a espetar uns aos outros. Logo, referente à análise literária, a inclusão do autista no Brasil é conflituosa e serve de metáfora para com os animais citados, pois a falta de conhecimentos acerca do espectro e as dificuldades de convivência são noções que ´´espetam´´ a harmonia coletiva e inclusiva.
A princípio, a legitimação da ignorância e do falso saber é danoso para presença do autista nos ambientes públicos. Essa verdade pode ser estudada, sob o viés da Idade Média, período histórico que contemplou a presença de feudos, os quais serviam para dividir a população política e economicamente. Nesse viés, a sociedade brasileira é ´´feudalizada´´ com a presença de falsos conhecimentos acerca do espectro autista, pois tal hábito discerne o afastamente do autista, além de classificá-los como inaptos para convivência. Sobre isso, a falta de abordagens claras e precisas sobre a temática nos meios de comunicação é um gatilho que perpetua a ignorância coletiva, assim a ausência de conhecimento evolui facilmente para a construção de barreiras sociais, isto é, o afastamento. Desse modo, conhecer é concretizar a convivência e a inclusão dos autistas.
Outrossim, a carência de dispositivos psicossomáticos, aparelhos adeptos às faltas psicológicas, nos ambientes públicos é um fator que obstrui a plena inclusão. Tal acepção dialoga com o ´´Princípio Universal´´, descrito pelo filósofo Immanuel Kant, o qual universaliza leis que permitam a inclusão, e se possível, conceituam ações adeptas a todos, sem o prejuízo de outrem. Nesse contexto, a omissão de meios de inclusão no Brasil se opõe a qualquer princípio universal, pois o ambiente não contempla as necessidades de quem o visita. Em vista disso, a falta de profissionais legitimados na área e de equipamentos destinados aos autistas, tais como redutores de hipersensibilidade auditiva, demonstra, nitidamente, a inadequação dos ambientes para inclusão do autista, o qual não se sente acolhido. Em suma, as dificuldades na convivência direncionam a exclusão social das vítimas citadas.
Portanto, compete aos agentes sociais sanar os desafios da inclusão do autista no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve publicitar salas de bate-papo nos locais públicos, por meio das mídias, pois ampliará a comunicação acerca da temática, a fim de informar a população. Em destino às prefeituras locais, propõe-se a projeção de equipamentos direcionados às vítimas, mediante verbas estatais, posto que harmonizarão o problema, com fins na convivência entre os indivíduos. Sem isso, a sociedade dos porco-espinhos ainda será uma metáfora, clara e objetiva sobre a exclusão dos autistas.