Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 20/10/2021
Na série “Atypical”, o personagem Sam possui autismo, ao longo do seriado é evidenciado as dificuldades na socialização, comunicação e no aprendizado do protagonista. Fora da ficção, a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil ainda é um desafio, pautado pelo desconhecimento e preconceito. Diante dessa perspectiva, a carente abordagem do tema e a omissão governamental agravam o fenômeno.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a escassa discussão em relação à temática como um obstáculo. Sob esse viés, conforme o médico Drauzio Varella, em seu artigo “violência epidêmica”, afirma que as crianças são o reflexo dos adultos e o seu desenvolvimento físico e psicológico ocorre por imitação. Nessa lógica, a inexistência de um debate acerca do autismo conduz para a falta de informação convertido em preconceito e discriminação em torno dessa síndrome, além de resultar na dificuldade de incluir essas pessoas no meio social. Desse modo, a expansão desse assunto para as escolas é de suma importância para a inclusão e formação de cidadãos menos ignorantes e preconceituosos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que, de acordo com o filósofo francês Voltaire, “preconceito é opinião sem conhecimento”.
Ademais, é fundamental apontar a insuficiência de políticas públicas como impulsionadora da questão. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5°, o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Nesse sentido, o Estado deve fornecer o auxílio para a inclusão dos autistas na esfera social e atenuar os desafios encontrados no ambiente escolar, no trabalho e no dia a dia. Entretanto, a carência de medidas e investimentos dificulta a universalização desse direito social presente na Carta Constitucional e contribui para a gravidade da situação. Assim, a inclusão desses indivíduos é primordial para uma sociedade mais abrangente e igualitária.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parcerias com as mídias, realizarem a elaboração de uma campanha publicitária, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias sociais, com o objetivo de informar sobre essa síndrome e como lidar com indivíduos com autismo, além de estender essa discussão para as escolas através de projetos que promovam a inserção social, a fim de diminuir os desafios na inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Portanto, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.