Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/10/2021

O filme “O Rei do Show”, estrelado por Hugh Jackman, retrata a antiga realidade de circos estrelados por pessoas que eram consideradas aberrações, geralmente portadoras de alguma deficiência. Assim como na obra abordada, na atual conjuntura brasileira, devido à ignorância, o preconceito contra os que são vistos como diferentes do “normal”, como os autistas, ainda é muito presente, o que dificulta sua inclusão na sociedade. Nesse sentido, é preciso salientar que a falta de informação que ocorre em consequência à negligência estatal é o fator motriz dos desafios de inserção social desses indivíduos.

Sob tal viés, cabe notar, primeiramente, que desde o início da década de 1990, a OMS reconhece o autismo como um transtorno, e não mais como uma doença. É perceptível, no entanto, que, quando vistos como doentes, os indivíduos são tratados diferentemente pela sociedade, sendo anormalizados. Dessa forma, apesar da redefinição do termo pelo órgão, muitos ainda desconhecem esse fato e as características do transtorno do espectro autista, resultando, consequentemente, no isolamento dessas pessoas e no preconceito contra elas. Dessa maneira, fica claro que a desinformação resulta na discriminação, impedindo sua devida participação na comunidade.

Além disso, ocorre, no Brasil, um evidente descaso por parte do governo, que falha em cumprir seu papel de proporcionar sua devida inclusão na sociedade. Nesse contexto, é possível referenciar a Constituição Cidadã, que imputa ao Estado o dever de oferecer vida digna a todo cidadão, o que inclui prover acesso de qualidade à saúde, educação, alimentação e segurança àqueles portadores do transtorno autista. Desse modo, é notório que esses fatores não estão sendo devidamente ofertados a medida que, para isso, sociedade como um todo deve estar adequadamente informada e preparada para inserir esses indivíduos, propiciando diagnósticos corretos e promovendo ambientes de ensino e convívio adaptados, com profissionais da educação e da saúde preparados. Logo, é evidente que a falta de ação por parte da União em cumprir os direitos desses cidadãos resulta na ignorância e na deficiente inserção dessas pessoas ao corpo social.

Portanto, conclui-se que medidas são necessárias para sanar os problemas abordados. Por esse motivo, cabe ao Estado, responsável por todos sob sua tutela, em parceria com o Ministério da Educação e da Saúde, informar a sociedade e criar condições dignas para pessoas com autismo no país. Essas ações podem se concretizar por meio de campanhas midiáticas, permitindo que a sociedade aprenda sobre o transtorno, além de treinamentos e eventos em escolas, ensinando professores e alunos como tratar e incluir esses indivíduos. Se tais medidas forem implementadas com rigor, o autismo poderá, enfim, ser normalizado e parar de ser visto como um “circo de aberrações”.