Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 21/10/2021
Os portugueses, durante a colonização do Brasil, incentivaram a imigração de europeus com o intuito de “embranquecer” a população tupiniquim, o que, na visão preconceituosa desses, era uma forma de promover prestígio social ao território descoberto. Nesse sentido, percebe-se que o contexto brasileiro é repleto de discriminação contra os que não se enquadram no ideal dos opressores, dentre eles, o autista. Diante disso, a exclusão das pessoas portadoras de autismo perdura devido à falta de controle do Estado e à imobilidade do povo. Dessa forma, é necessário que essa chaga social seja resolvida, a fim de que a herança colonizadora não mais reflita o cenário atual da nação.
Sob essa perspectiva, é válido citar que a irresponsabilidade do governo contribui para perpetuar a não inclusão dos autistas. Segundo a Constituição de 1988, é dever dos órgãos governamentais garantir a igualdade e a inclusão de todos os habitantes. No entanto, o não cumprimento da Carta Magna colabora para a exclusão das pessoas com a síndrome comportamental. Esse fato pode ser observado na frase do sociólogo Zygmunt Bauman, o qual afirma que “A sociedade caminha para uma desordem mundial causada pela falta de controle do Estado.” Desse modo, é notório a importância dos governantes para promover a isonomia jurídica do povo brasileiro. Por consequência, é imprescindível que, para a refutação de Bauman, essa problemática seja revertida.
Ademais, a falta de ação social é um fator agravante da exclusão dos que possuem a síndrome que afeta a comunicação. Conforme a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Essa afirmação permite concluir que de tão comum que a falta de vivência social dos autistas tornou-se, o povo habitou-se a ela. Isso pode ser comprovado no livro “Cidadãos de papel”, de Gilberto Dimenstein, o qual afirma que a cidadania encontra-se inerte ao papel, visto que a população não a coloca em prática. Dessa maneira, percebe-se que o povo possui a consciência do problema excludente analisado, mas não age para revertê-lo. Consequentemente, esse panorama urge ser solucionado para que a obra de Dimenstein e a frase de Beauvoir não mais reflita o cenário atual da nação.
Portanto, algo precisa ser feito com urgência para solucionar a problemática não includente em questão. Logo, o Ministério da Cidadania deve treinar educadores que auxiliem os autistas nos ambientes de socialização. Esse treinamento será realizado com o auxílio de psicólogos e pedagogos, além de recrutar profissionais suficientes para atender a demanda de cada cidade - no mínimo um educador a cada cinco autistas -. Por conseguinte, os portadores da síndrome terão uma vida mais saudável, bem como serão incluídos de forma eficiente na sociedade.